Dia dos Namorados…

Talvez seja pela forma aconchegante que sempre consegue aninhar a cabeça em meu peito;

talvez seja pelo carinho que paira em seu olhar nos momentos em que consegue enxergar aquela criança arteira que ainda existe dentro de mim;

ou pela compreensão e apoio que me dá quando estou frente à encruzilhadas que sei que afetarão nossas vidas num futuro próximo;

mesmo quando, de dedo em riste, está me dando uma senhora de uma bronca;

ou nos momentos de silenciosa discussão, quando pergunto “O que foi?”, e ouço apenas um lacônico “Nada.” em resposta;

ou quando seu riso preenche a casa;

quando suas lágrimas me dilaceram o coração;

quando seu sorriso ilumina o ambiente;

enfim, nesse mundo povoado de meninos sonhadores e de mulheres dotadas de agudeza de espírito, não consigo entender o porquê de ela teimar em me amar, nem tampouco sei declinar exatamente qual a motivação que me leva a amá-la.

Só sei que a amo…

Gripe – III

Gripe!Ainda que sob o sério risco de ser linchado em praça pública pelos meus pares, antes de mais nada tenho que admitir: os homens são todos iguais; só mudam de endereço.

No último final de semana estava eu em casa e meio que gripado. Bom, pra falar a verdade eu estava MUITO gripado! Vi toda a minha vida passar, como num filme. Não tinha mais forças para nada; a cada uma das tossidas (cada vez mais profundas) doíam minhas têmporas e passei a ter vertigens, com pequenos pontos prateados bruxuleando pela minha vista…

Na certeza de que não veria outro dia pela minha frente, passei a mentalizar como seria dividida minha parca herança cultural pelos meus três filhos, em que situação ficariam os bens que não tenho, e ainda fiquei matutando se existiria algum tipo de “disk-extrema-unção” para atendimento domiciliar…

Ainda bem que a Dona Patroa, do alto de sua sapiência (e paciência) oriental, não deu muita trela para o dantes moribundo que agora vos escreve. Além de me ENTUPIR com um coquetel de anti-gripais, expectorantes e descongestionantes, ela ainda fez aflorar seu lado Morgana, e como verdadeira Hecatae, cuidou de mim assumindo concomitantemente as personalidades da donzela, da mãe e da velha, o que resultou numa “poção” (também conhecida como chá) que levava desde alecrim, passando por tanchagem, até gengibre (argh!).

Bão, enfim, sobrevivi…

Já no decorrer da semana, conversando com minhas amigas e colegas de trabalho, numa vã tentativa de arrebatar um mísero olhar de compreensão, fui rechaçado com a indelével constatação delas: “realmente, vocês homens são todos iguais; basta pegar um resfriadinho à toa que já ficam manhoooooosos…”

Que putz. O pior é que elas têm razão…

Desabafo não é desacato, afirma TJ

Interessante…

Newsletter – Síntese Publicações
Publicado em 19 de Maio de 2006 às 15h23

Expressão ofensiva usada contra funcionário público não caracteriza desacato se decorrente de desabafo ou indignação por mau atendimento. Com esse entendimento unânime, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás, acompanhando voto do relator, Desembargador Aluízio Ataídes de Sousa, reformou decisão do juízo de Valparaíso de Goiás, que havia condenado a advogada e defensora pública Alessandra de Souza Machado Jucá a 2 anos de detenção, em regime semi-aberto, por desacatar a funcionária pública Jousse Paulino de Carvalho Andrade, porteira dos auditórios e secretária do juízo da referida comarca, usando a expressão “vá à merda”. A pena fôra substituída por prestação pecuniária, consistente na doação de duas impressoras novas para o Foro de Valparaíso.

Ao absolver a advogada, Aluízio ressaltou que, apesar de a conduta de Alessandra não ter sido correta, pois, a seu ver, ao invés de mandar a funcionária “ir à merda” deveria ter procurado as vias adequadas para se contrapor ao comportamento que considerou injusto, ficou claramente comprovado que a expressão ofensiva usada por ela resultou de desabafo, revolta natural e momentânea por não ter sido atendida devidamente por Jousse, a pretexto de os servidores encontrarem-se em greve. “Para restar configurado desacato, impõe-se que a conduta delituosa tenha por fim específico o desprestígio ou desconsideração da função pública exercida pelo ofendido”, explicou.

Fato

De acordo com os autos, em 16 de abril de 2002, às 14h45, no recinto do fórum da comarca de Valparaíso de Goiás, houve um desentendimento verbal entre Alessandra e Jousse Paulino, devido à insistência da referida advogada em obter informação sobre andamento de processo de seu interesse e a recusa da funcionária ou fornecê-la, já que os funcionários estavam em greve. Posteriormente, Alessandra constatou que Jousse estava protocolizando uma petição para outro advogado, o que a deixou indignada, levando-a a questionar o motivo do tratamento diferenciado. Nesse momento, as duas tiveram uma grande discussão, sendo que Alessandra mandou que ela fosse “à merda”.

Ainda conforme os autos, logo após o desentendimento Jousse dirigiu-se à delegacia de polícia e apresentou representação criminal contra Alessandra, lavrando um TCO. A representação foi encaminhada ao Juizado Especial Criminal, mas não houve acordo entre ambas sobre a proposta de transação penal, culminando em oferecimento de denúncia contra Alessandra pelo crime de desacato (art. 331 do Código Penal), o que acabou gerando sua condenação.

Ementa

A ementa recebeu a seguinte redação: “Apelação Criminal. Desacato. Dolo Específico na Conduta do Agente. Inexistência. Atipicidade. Absolvição. Para restar configurado o desacato impõe-se que a conduta delituosa tenha por fim específico o desprestígio ou desconsideração da função pública exercida pelo ofendido, não bastando, para tanto, a mera enunciação de expressão ofensiva em desabafo, revolta natural e momentânea, resultante de comportamento do próprio funcionário desacatado. Recurso conhecido e provido. Sentença Reformada”. (Ap. Crim. nº 28.089-3/213 – 200502081885).

Fonte: Tribunal de Justiça de Goiás

Peça pelo número!

O primeiro a se manifestar foi o Número Dois. Logo pela manhã, após acordar e concluir que estava quase afônico de rouquidão, fui até a sala e ele já havia se levantado.

– Papai, vem ver meus desenhos!

– Deixa eu ver, então…

– Olha, tem esse aqui e depois esse, e mais esse…

(Suspiro).

– Filho, o papai está rouco, por isso é que está falando assim baixinho. VOCÊ não precisa falar desse jeito também…

…—…

Ao chegar em casa, à noitinha, foi a vez do Número Três. A Dona Patroa me falou:

– Amor, hoje ele estava olhando as fotos ali, comigo, e falou direitinho quem era cada um, inclusive, “papai”.

– Legal! Filhão, vem aqui no colo do papai. Isso. Quem é essa aqui na foto?

– Mamãe!

– E esse aqui?

– Mamãe!

(…)

– Tá, vamos tentar de novo. Quem é essa outra aqui?

– Vovó!

– Isso. E esse aqui?

– Vovô!

– Muito bom. Essa aqui?

– Mamãe!

– Bom. E agora, quem é ESSE AQUI?

– Mamãe!

Foi mais ou menos isso que aconteceu. Coloquei meu pequeno rebento no chão e fui esmurrar algo em outro cômodo da casa.

…—…

E pra fechar com chave de ouro, só faltava o Número Um. Estava a fazer meu prato junto ao fogão quando ele chegou.

– Oi, pai.

– Oi, filho.

– Você ainda tá rouco, pai?

– É. Ainda tô um bocadinho rouco, sim.

Virou-se para o outro lado, e disse:

– Mãe, por que a gente não arranja um microfone para o papai? Assim, mesmo que ele fale baixinho a gente vai conseguir ouvir!

A Dona Patroa foi rir desesperadamente em outro cômodo da casa…

…—…

Enfim, parece que estou total e completamente cercado por uma família de comediantes e não sabia…

Débi & Loid

Eu tenho um bom e velho Marajó, ano 1982. Um daqueles automóveis mais antigos, da época em que carros com injeção eletrônica eram vistos com solenidade e reverência. Na realidade ele não é o único veículo que temos em casa, pois a Dona Patroa tem um carro “de verdade”. O Marajó (carinhosamente chamado de Rabecão, e com a figura dos Caça-Fantasmas colada atrás) é o que eu chamo de “mobília”.

É uma espécie de síndrome de advogado, pois prefiro manter um carrinho velho, mas em bom estado, quitado e sem dívidas, que sirva para nos levar pra cima e pra baixo em qualquer situação; e também um carro melhor, que pode ser convertido em dinheiro numa eventual época de vacas magras. Desse modo a família nunca ficaria a pé.

Tudo bem, sei que a verdadeira síndrome de advogado é justamente o contrário: é o caboclo que quer aparentar ser o que não é, para mostrar para quem ele não gosta uma situação que ele não tem. Conheço muitos “doutores” que fazem questão de usar terno italiano, mas não pagam condomínio há anos…

Fazer o quê? Seu Bento, vulgo meu pai, do alto de sua sapiência sul-mineira me ensinou que a gente tem que dar o passo de acordo com o tamanho da perna, mas sempre guardando um queijinho na despensa. Tá certo que levei anos pra aprender a lição, mas aprendi. Eu acho.

Mas voltemos ao Marajó.

Tem duas coisas nas quais sou mestre. Uma é não ter a mínima idéia do consumo de um veículo, e outra é deixar acabar a gasolina do tanque… Acho que simplesmente TODOS os carros e motos que tive até hoje, novos ou velhos, passaram pela desventura de parar na estrada por falta de gasolina.

E nos dias de hoje isso ainda tá pior, pois não adianta andar com um vasilhame qualquer no carro, pois os postos simplesmente não estão vendendo combustível avulso – receio de que vá se fazer algum Coquetel Molotov…

Mesmo assim consegui encher uma garrafa de Coca-Cola e deixei-a no carro para fins experimentais. Que fins? Bem, coloquei cinquenta litros no Rabecão (que estava com o tanque total e completamente vazio) e comecei a marcar a quilometragem para ver quanto ele fazia. Meu companheiro nessa desventura – um amigo que trabalha comigo na “repartição” e que tem pego carona nesses dias frios – passou por maus bocados. Até porque ele, no princípio, não sabia que eu estava com a gasolina reserva. Bastava o carro dar uma engasgada que ele já ficava branco, nas subidas íngremes ele suava frio (pois o tanque ficava desalinhado e o combustível não ia para o motor), enfim, encrenca na certa.

Só que, depois que o filho duma égua descobriu que eu estava com combustível de reserva, o bicho ficou valente! “Não, agora vamos até o fim. Enquanto não acabar a gente não reabastece.” E a besta aqui achando graça…

A expectativa era de que acabasse a gasolina no PIOR lugar possível. Provavelmente no meio do trânsito, sobre uma ponte, numa subida, sei lá. E tudo isso só pra ter a certeza absoluta de quantos quilômetros o carro efetivamente faria por litro. Sei que existiriam meios empíricos mais adequados pra se medir isso, mas não seriam tão divertidos!

No final das contas, ontem acabou a gasolina. De vez. Onde? Numa reta, bem no acostamento, DE FRENTE PARA UM POSTO DE GASOLINA!

Segundo meu amigo, “pobre, até quando tem sorte, tem azar – a gasolina só acabou em frente a um posto justamente porque não precisava”.

Tudo bem. Pelo menos foi divertido.

Ah! O resultado disso tudo? 7,5km/litro… :’-(