Sonho de uma noite de verão

– Uaahhh… Bom dia amor!

– …

– Amor? Lindinha? Você tá legal?

– Humpf!

– Que é que há? Você não está passando bem?

– Ainda estou com raiva.

– Raiva? Por que messs?

– PORQUE TIVE O MAIOR QUEBRA PAU COM VOCÊ!

(PERIGO! PERIGO! Ativando modo defensivo. Analisando ambiente em busca de pistas. Processamento paralelo. Rastrear memória. Recapitular últimas doze horas. Fato: ingestão de bebida alcoólica na noite anterior. Questão: suficiente para ocasionar perda de memória? Fato: resposta negativa. Questão: discussão durante algum ataque de sonambulismo? Referência cruzada: sonambulismo = sonho. Conclusão lógica: sonho. Cancelar rastreamento. Suspender análise de ambiente. Processamento final: ela sonhou que teve uma briga. Desativando modo defensivo. Reassumindo funções. Tempo decorrido: 1,4 seg.)

– Ahhh… Você sonhou com isso né?

– É!

– E por que mesmo você brigou com este pobre coitado que vos fala?

– Porque o SENHOR estava numa BOATE dançando com um monte de VAGABUNDAS e com uma CALCINHA PRETA NA CABEÇA!!!

– Huá! Huá! Huá! Huá!

– E para de rir! Ainda tô brava com você!

– Amor… Justo eu, que jamais pus os pés numa boate? Pelo menos você pegou o endereço para futura referência?…

– Seu…

– AI! Isso doeu!

– É pra você aprender!

– Mas eu não fiz nada!

– Eu deveria me divorciar de você por uma dessas…

– Dá pra pelo menos esperar eu TRAIR de verdade antes de uma atitude assim drástica?

– Seu…

– AI! Isso também doeu!

– Xarope!

– …

– …

– Môr?

– O quê?

– Tá mais calma?

– Ah… tô. Desculpa. É que foi um sonho tão real que não tinha como não acordar com raiva.

– Tudo bem, eu entendo.

– Mesmo?

– Mesmo.

– Que bom…

– Só mais uma última perguntinha. Pode?

– Claro.

– A calcinha. Você disse que era preta. Mas você lembra dos detalhes?

– Era de rendinhas…

– VIXE! Então a coisa deve ter sido boa MESMO!

– ORA, SEU…

– AAAAAIIIIÊÊÊÊÊ!!!!!

Computador possuído?

Se eu tivesse apenas recebido estas fotos por e-mail, vá lá. Seria mais uma das inúmeras his/estórias que contam por esse mundão virtual afora.

Mas nesse caso não foi bem assim.

Esse computador é de uma amiga nossa, aqui do trabalho, recém-comprado e que vinha funcionando perfeitamente. Mas eis que, numa bela manhã de sol, ela resolveu abrir alguns arquivos de um pendrive. Conectou, acessou, começou a trabalhar. E aquele cheiro de queimado começando a se fazer presente. De repente – DO NADA – uma labareda se levanta da máquina. Foi só o tempo de puxar o pendrive e, numa presença de espírito fora do normal, sacar do celular com câmera e tirar algumas fotos.

E aí?

Alguém arrisca alguma explicação?

Apenas algum mau contato interno, sobrecarga de energia, problemas da aura eletromagnética da máquina, possessão digital, ou o quê?

Mistéééééério…

Correndo, correndo, correndo

Quem disse que final de ano é época de descanso?

O fluxo de trabalho anda batendo recordes, o ponteirinho da pressão passou da margem vermelha de segurança, o vapor já começou a apitar e sair em disparada pelos ouvidos e a coisa não para.

Apesar da pertinaz ajuda das minhas meninas (as advogadas e a estagiária que trabalham comigo), já estou antevendo o momento em que elas vão acabar me tocando da sala, tal é o mau humor que venho demonstrando por estes dias…

A elas só posso pedir paciência. Tudo passa. Tudo tem limite.

Para deixá-las um pouco em paz (e livres de minha presença) hoje vou pra Capital (do Estado, não do País) para uma daquelas reuniõezinhas básicas. Além de lhes dar sossego, também vai servir para dar uma espairecida na cabeça…

Isso porque a parte divertida da coisa é que vou acompanhar o amigo Bellini para resolver um perrengue de um convênio. Ele é tenente-coronel da polícia militar, atualmente na reserva (uma espécie de aposentadoria), e figurinha ímpar no pedaço. Sempre vestido de preto da cabeça aos pés, com um longo rabo-de-cavalo que se contrapõe à calvície do topo, amante de um bom e velho rock pesado, de temperamento forte mas com um coração de ouro, possui assunto e disposição pra qualquer proseio que se possa imaginar. Em suma, é daquelas figuras antigas de cujo estofo se forjam lendas.

É. Apesar da correria, parece-me que talvez o dia de hoje possa vir a ser um pouco mais calmo…

Boas Notícias – Más notícias

Atendendo uma ideia muito LEGAL dada pela Michelle em seu comentário em um post de 30/11, depois de dar uma boa fuçada por aqui e por ali, e graças ao plugin para WordPress (WP-EMail) criado por Lester ‘GaMerZ’ Chan, consegui inserir aqui no site um “serviço do tipo: envie esta notícia para um amigo”. É esse envelopinho aí embaixo com o texto “Envie este Post por e-mail”. Uma nova janela será aberta solicitando os dados de quem manda, de quem recebe e eventual comentário. Já testei e o bichinho funciona…

Essa foi a boa notícia.

má notícia é que ainda tenho que dar uma mexida no código desse plugin para deixá-lo totalmente em português, pois atualmente está bem híbrido (uns 80% em inglês e os 20% restantes em português). Essa é a parte fácil. O difícil – e continuando a “má notícia” – é que ao enviar o e-mail ocorre uma “tecnicidade”: ele desconfigura o padrão de texto UTF-8 para o qual o WordPress está originalmente configurado, transformando-o em ISO-8859-1. E ao fazer isso avacalha totalmente com a acentuação do texto…

Mas para tudo tem jeito. Mais um tempinho e eu vou acabar descobrindo o nó górdio desse trem doido e conserto…

Chama a estagiária

Acontece que numa sessão de abertura de envelopes de uma licitação às vezes (aliás MUITAS vezes) tem algum caboclo chato, daqueles que só reclamam.

E, nesse dia, esse era o caso.

Estavam a presidente da comissão mais as duas outras integrantes já ficando com dor de cabeça por causa das reclamações do “distinto” representante de uma das empresas que participavam da licitação. Que, aliás, era o único presente além da própria comissão.

Passava e repassava pelos documentos apresentados por outras empresas, a cada vez falando uma coisa.

– Vocês têm que ver que esta empresa aqui apresentou uma cópia mal tirada, se não seria o caso de inabilitar, aliás, essa outra aqui apresentou um atestado bem antigo, e eu acho que nem seria mais válido, tem também essa outra que não fica na cidade e eu nem sei se o edital fala se daria pra contratar empresa de fora, deixa eu ver o edital… – ué, mas não está aqui – quero ver a pasta número um da licitação, então dá pra me mostrar ou será que teria algum motivo pra ela não estar aqui, senão essa licitação já estaria toda viciada e seria o caso de anular tudo, e quero inclusive fazer constar tudo isso em ata, viu, e preciso ler antes de imprimir, pra ver se não mudaram minhas palavras, será que posso ver a pasta, então?

Com a pequena deixa naquela torrente de resmungos e reclamações – que, diga-se de passagem, proferidas sob o manto do mais tenebroso mau humor já visto – meio que saindo do torpor, a presidente da comissão liga para uma outra sessão e pede para que tragam a malfadada pasta número um.

Enquanto isso, talvez mais até de si para si mesmo, permanecia o infeliz ali resmungando, folheando, repassando, enfim, procurando defeitos onde não existiam.

E eis que trazem a pasta.

Quem mesmo?

A estagiária novinha, é lógico.

– Licença?

Lá da porta do salão ela perguntou e já foi entrando. Todas as cabeças se viraram à sua chegada. Veio ela em direção à mesa trazendo a pasta debaixo do braço. Mignonzinha, com os cabelos metade soltos, metade presos no alto da cabeça, sempre sorrindo, com tudo no lugar certo, tudo bem durinho, empinadinho e apontando para o céu, usando um topzinho que deixava o umbiguinho bem torneado à mostra para quem quisesse ver. Percorreu o curto trajeto com seu alegre passinho peculiar – já há muito tempo caracterizado pelas “boas línguas” que a cercam: “ela não anda, saltita.

O queixo do velho babão representante veio ao chão.

Enquanto a estagiária – toda solícita e sorrisos – entregava a pasta, o homem permaneceu calado.

Depois, com um mero tchauzinho, foi embora da sala – toda, toda – com aquele caboclo ali, tiquetaqueando com a cabeça, acompanhando sua saída.

Foi a mudança da água (barrenta) para o vinho (finíssimo).

Ele ficou num bom humor insuportável.

Não tinha mais nada a reclamar, não queria constar mais nada em ata, deixa o processo pra lá, ganha quem ganhar, é assim mesmo, o dia está lindo lá fora, vocês todas são muito competentes, a licitação tá muito boa, o edital tá muito bom, cadê a ata, onde é que eu assino, muito obrigado, tudo de bom pra vocês, fica assim, até uma próxima vez…

Quem estava de queixo caído agora era a comissão…

Mas até que foi bom.

Pois já ficou decidido.

Apesar de não ter constado em ata.

Doravante, TODA e QUALQUER licitação que tiver algum representante chato, algum caboclo pentelho, algum distinto que esteja lá só pra encher o saco, pois bem, visando garantir o bom andamento dos trabalhos, nesses casos a solução passará a ser uma só:

– Chama a estagiária!

Organograma de um escritório de advocacia

E já que tiramos o dia pra falar dessa raça (na qual me incluo), segue mais uma pitoresca:

O SÓCIO MAJORITÁRIO: Sempre de bom humor, o Sócio Majoritário ganha rios de dinheiro explorando o trabalho escravo dos outros componentes da pirâmide social do escritório. Graças à sua reputação de excelente jurista, o escritório conquistou inúmeros clientes trilhardários, que mal sabem que ele só assina as petições e fica lendo jornal e fazendo contatos na sua mega sala GLX. Passa o tempo viajando pelo mundo em “congressos” com a família e pendura todo diploma que ganhou em suas andanças pelas paredes do escritório para impressionar a moçada. Seu maior prazer é prometer a direção do escritório aos sócios minoritários.

O SÓCIO MINORITÁRIO: Misteriosamente, sempre trata o Sócio Majoritário de “Pai”, “Tio” ou “Benhê”. De sobrenome idêntico ao que dá nome ao escritório, o Sócio Minoritário pega todos os consultivos que o Majoritário não tem saco, nem tempo para entender e delega tudo aos Advogados Associados, que por sua vez passam tudo para os estagiários que: 1) claro, nunca tiveram aquela matéria; 2) nunca tiveram aquela matéria bem dada; 3) faltaram naquela aula; 4) como sabem a matéria, têm noção de que os advogados pretendem uma heresia jurídica. O Sócio Minoritário larga o escritório às 18:00h para fazer as aulas da pós, com o orientador arranjado pelo “Papi”. Seu maior prazer é prometer consultivos para os pobres Associados que nunca tiveram e nem vão ter contato físico com os clientes, e esperar a morte do Sócio Majoritário.

O ADVOGADO ASSOCIADO: Dá um duro danado no escritório: hora extra não remunerada, leva trabalho para o fim de semana, tem estresse, estafa, início de calvície e impotência sexual. Leva o trabalho para os sócios analisarem e assinarem tudinho. Em troca, ganha muito bem e, como perdeu os amigos, a mulher e os filhos, sobra uma puta grana. Não tem a menor ideia do que fazer com toda a bufunfa no seu tempo livre: a hora do almoço. Sua maior diversão é prometer passar “umas coisas” para os recém efetivados e rir das piadas infames de todos os sócios.

A SECRETÁRIA: Essa funcionária dedicou os últimos 30 anos (entregando a sua saudosa juventude) em “servir” o Sócio Majoritário. É figura intocável no escritório, assim como as bibliotecárias boazudas que quando completam 26 anos são sumariamente demitidas. Seu maior prazer é puxar o saco dos sócios e tornar a vida de todos os outros um inferno.

O RECÉM EFETIVADO – O ESTAGIÁRIO COM OAB: Normalmente é o mais elegante do escritório e se acha “O” advogado, enchendo o saco dos amigos com as “causas” lá do escritório. Despreza os outros estagiários e, para mostrar seu enorme status, manda os pobrezinhos para os piores buracos possíveis: fóruns do interior, Justiça Federal, elevadores da Fazenda Pública Estadual, até em busca e apreensão o filho da mãe manda. Tem certeza de que pode fazer muito melhor o trabalho dos Advogados Associados. Sua grande felicidade é dizer aos novatos, com ares de experiência, que “é assim mesmo” ou “antes era pior”.

O ESTAGIÁRIO NOVATO: A vida dele é tão miserável que nem precisava fazer turismo na cidade de Canas. Só pega serviços externos o dia inteiro, se ferra na faculdade. Seu conhecimento de pontos de ônibus é notável e é capaz de recitar na ordem todas as estações da linha “Corinthians-Itaquera”. Seu maior prazer é contar para os amigos que está “aprendendo muito”.