Diagnóstico errado

Juliano Rodrigues

O Doutor Psiquiatra chega para os residentes e fala:

– O paciente apresenta os seguintes sintomas: insônia, reclama que dorme poucas horas por dia; falta de apetite, está perdendo peso rapidamente; pensamento obsessivo; apresenta fantasias contínuas; perda de atenção. Então, qual é o diagóstico?

Residente 1: – Doutor eu acho que é anorexia.

– O paciente tem a real noção de seu peso e condição.

Residente 2: – TOC! Transtorno obcessivo compulsivo.

– Vou é tocar sua nota lá embaixo!

Residente 3: – Só pode ser TDAH, sabe eu li um artigo na…

– Cale-se! Vou apontar outro dado, o paciente trabalha em um ambiente de conflitos e estresse, é professor, mas…

Residente 4 rapidamente interrompe: – Já sei, se trata do mal do século: Transtorno de Ansiedade.

– Não!

Residente 5 fala timidamente: – Sessesseria dededepressão!

– AaAaAacho quequeque NÃO! – Ironiza o Doutor.

Residente 6: – Síndrome do pânico.

– Eu ia apresentar outra informação, mas o ansioso residente 4 me interrompeu. Meninos o paciente parece estar extremamente feliz… – Fala calmamente o Doutor.

Residente 7 empolgado grita: – Êba!!! matei a charada!!! Transtorno de Humor, episódio Maníaco!

– Vou é matar vocês! – Responde o médico irritado ao ver que todos os residentes haviam falhado no teste. Continuou dizendo calmamente:

– O paciente apenas está apaixonado, ele é extremamente saudável, e todos só viram doença…

O Doutor suspirou, abaixou e balançou a cabeça em sinal de desapontamento, então declarou:

– Eu lamento, é uma pena, vocês estão fadados a serem apenas meros médicos, que miséria, achei que alguém aqui poderia realmente querer algo na vida.

E saiu indignado, abandonou a medicina e decidiu ser poeta.

(Roubartilhei daqui…)

Vento, ventania

Causticante domingo se passou… Na realidade um cansativo repouso pontuado com os afazeres de sempre, as realizações de nunca e os devaneios de quando em quando…

Ponto alto do dia é o fim da noite quando, da varanda, me ponho a apreciar um pouco da rua e da lua matando a sede numa geladíssima cerveja e vendo a espirais da fumaça de meu cigarro se desmancharem ao vento.

Vento…

O que foi um dia seco e quente começou a se desfazer numa quase que fria noite, com o soprar de um vento refrescante, a espalhar meus pensamentos tal qual essa fumaça que desaparece. As copas das árvores, inertes até então, balouçando-se ao bel-prazer dessa agora ventania, quando até mesmo seus troncos fazem-se levemente envergar.

Fecho os olhos e sinto na face o frescor desse sopro divino, inundando-me, oxigenando-me, expulsando pensamentos e sentimentos mesquinhos arraigados na fina galharia do marasmo, nascida na mesmice da alma. E penso e concluo como é bom o vento, o ventar, a ventania, que nos reforça a frágil sensação de simplesmente estarmos vivos. Ventos de mudanças, mudanças de dependência única e exclusiva de nossos próprios méritos e ações. Em meu pensar revisito costumes que viraram hábitos, hábitos que viraram manias, manias que viraram vícios. Costumes que merecem ser revistos, hábitos que demandam ser mudados, manias para serem abandonas, vícios para serem extirpados.

Venta.

Venta e me faz pensar cada vez mais nessas mudanças, do que é possível e plausível, bem como do que deve ser perene e estático. Vento que sopra e varre a poeira, enverga e molda a árvore, contorna e se perde na rocha. Mas, afinal, o que é poeira, o que é árvore, o que é rocha? Onde cada uma dessas metáforas se encaixam na minha vida em particular?

Não sei, com certeza, nunca saberei. A ansiedade por mudanças que se avizinham se conjugam com a necessidade de me expressar que se completam com o conforto e a segurança sem surpresas. Nenhum tipo de surpresa.

Venta!

E na ventania que me varre, que me molda, que me contorna, vejo meus insensatos sonhos de despertar em manhãs que passam muito rápido, de avelhantadas visitas a lugares que jamais irei, de dias que se passaram, que passam e que passarão. E, com tudo isso, com minhas ansiedades, necessidades e seguranças, ainda assim o vento, por mais benfazejo que seja, não me demove de minha certeza acerca da mantença do que não é fácil – e como não! -, do conforto, do carinho e da ternura de a cada dia poder acordar onde desejo estar.

E, fora isso, o que sobrar, por inquebrantável que sou, que o vento envergue em minha vida.

E, além disso, o que restar, por desnecessário que seja, que o vento varra de minh’alma.

Profunda questão

Alguém por aí já parou sinceramente para pensar nisso?

Mas de verdade mesmo?

Particularmente eu não sei… Eu não sei…

É uma questão tão profunda quanto difícil de responder!

Resgatar os sonhos de infância – de infância mesmo -, pensar no mundo em que não pensávamos, nos problemas que não tínhamos, nos adultos que nos cercavam, no futuro que aguardávamos, nos nossos planos, sonhos, devaneios e no que efetivamente nos tornamos hoje. É um desafio.

Hoje, ainda, não sei.

Preciso pensar, pensar…

Pensar.

De volta ao meu (a)normal

E então, logo pela manhãzinha, me corto ao barbear.

Não dói, não é absolutamente nada grave. Apenas demora (e muito!) pra parar de sangrar.

Visto-me. Ao tentar fechar o cinto, a fivela simplesmente explode. É daquelas desmontáveis. Pedaços para todos os lados. Todos eles vão pra lixeira.

No cabide, sirvo-me de uma de minhas camisas favoritas. Com todo cuidado para não manchá-la (me cortei, lembram?). Presto atenção: gola e colarinho manchados. Sei lá de quê. Bastaria uma leve esfregada antes da lavagem, o que não foi feito pela empregada. Aliás, ressalte-se, eu disse empregada. Nesses tempos de “politicamente corretos” abarrota-me o malote termos tais como “auxiliar”, “ajudante”, “secretária do lar” e outros tanto fantasiosos mais. Vamos combinar que empregada é empregada, sempre foi e assim vai continuar, independentemente da alcunha que se lhe dê. Aliás, a amiga Rossana tratou muito bem do assunto neste post aqui.

Pego outra camisa. Colarinho apertado. E as mangas encolheram. Ou meus braços cresceram, o que for menos pior. Resigno-me a também encolher os ombros. Pelo restante do dia.

Abro a gaveta do guarda-roupa para pegar um par de meias, e ela cai. Táquiôspa! Dou uma olhada e percebo que a ferragem do trilho caiu e se enroscou por trás de todas as gavetas. Certamente quando a empregada foi guardar algumas mudas de roupa. Pô, custava avisar que essa piromba tinha quebrado?

Já à mesa para o desjejum, o café estava quente e consigo o prodígio de queimar a língua.

Após esse des-gustar, ao arrumar minhas coisas, tiro o carregador de celular da tomada e, sei lá como, levo um pusta choque.

Sento-me ao computador sem perceber que meu maço de cigarro estava no assento da cadeira. O último cigarro. Que, lógico, quebrou.

Acesso minha conta bancária e, no meio do pagamento, o computador trava. E agora? Paguei ou não?

Enfim, ladies & gentlemen, hoje tá phowwdas. Numa surrealidade digna de Benjamin Buttle, nenhuma dessas ocorrências isoladamente teria sequer despertado meu (mau) humor latente. Mas o conjunto seguido uma atrás da outra em carreirinha reiteradamente de cada uma delas é capaz de tirar qualquer um do sério!

Ou seja, dentre outras coisas, tá na hora de rever minhas atitudes.

Além de meu peso.

Ou minhas roupas.

Ou o próprio guarda-roupa.

Ou todas alternativas anteriores…

Aliás, já falei que, além de tudo, hoje meu joelho dói?

A-ha! Rotoscopia aplicada…

Perguntam-me os incautos: “o que raios afinal de contas é rotoscopia”?

E eu, no ápice de minha qualidade de guardião da cultura inútil, explico!

Primeiramente lembremos que um filme – qualquer que seja – nada mais é que uma sobreposição de fotos estáticas. Dada a velocidade dessa sobreposição e a mínima variação de uma foto para outra (ou de um quadro para outro, ou de um frame para outro – escolha a palavra que melhor lhe aprouver!), bem, com isso temos a sensaçáo de movimento. É um pusta truque que engana nosso cérebro direitinho, mas ninguém se incomoda e todo mundo quer mesmo é ir até o cinema assistir o próximo lançamento! De preferência com um belo saco de pipoca, doce por baixo, salgada por cima e com MUITA manteiga…

Hmmmm…

Mas estou divagando.

Voltemos ao assunto.

A rotoscopia é uma técnica utilizada na animação que consiste em redesenhar cada um desses quadros de um filme, tendo como referência a filmagem de um modelo vivo. Refazendo (e substituindo) cada um desse quadros voltamos a ter a ilusão de movimento proporcionada pelos filmes.

E, mais legal: dá até pra fantasiar um pouco! Dá pra colocar o personagem em um novo ambiente, atribuir-lhe outras roupas e até mesmo interagir com outros desenhos. É, isso mesmo, é aquela técnica utilizada em boa parte dos desenhos dos Estúdios Disney… O que me vem à mente agora são algumas cenas de Mary Poppins!

Ainda que pareça uma coisa até banal neste mundo informatizado e photoshopado em que vivemos, antes do advento do computador essa técnica dava um trabalho do cão! Já viram, lá em cima, o desenho da parafernália que era utilizada para utilizar essa técnica? Então.

A história da rotoscopia teve início – até onde é possível saber – com os irmaos Max Fleischer (1884-1972) e Dave Fleischer (1894-1979), ainda na época do cinema mudo, e foram eles que criaram aquelas bolinhas animadas que acompanhavam as letras das canções na tela do cinema. Não lembram disso? Tudo bem. Eu também não. Mas já vi isso em muito desenho antigo… Lá pelos anos vinte, tendo fundado os estúdios Out of the Inkwell Films, foram eles também que criaram o personagem – com o qual eventualmente interagiam – Koko, o Palhaço (clique aqui para saber de quem estou falando), bem como sua mais famosa estrela: Betty Boop (para vê-la em ação, clique aqui).

Já nos anos trinta, Walt Disney (1901-1966) e seu irmão Roy Disney fundaram os estúdios Disney Brothers, passando a ditar quase todo os parâmetros da produção de animação desde então.

Segundo meu filhote mais velho ele não sabe como conseguiu viver até hoje sem ter esse tipo de informação.

Sarcasmo, definitivamente, é genético…

Mas não vou perder tempo falando de quase um século de trabalhos feitos com essa técnica. O que me importa – e o motivo pelo qual escrevi este post – é mostrar para vocês um exemplo mais recente (recente?) de rotoscopia: um vídeo que eu sempre gostei, feito “agora” em 1985. Como eu já disse antes, nesta nossa era de computadores poderosíssimos dentro de casa, pode parecer até pouco, mas numa época em que a microinformática simplesmente não existia, isso dava um show e tanto! Estou falando da música que alçou a banda A-ha ao sucesso, Take on Me

Confiram!