Valorizando seu dinheiro – IV

Do Estado Novo ao Fim do Estado…

Cruzeiro
(Cr$1,00 = Rs1:000$000)

O Cruzeiro (Cr$) começou a circular em 01/11/1942, criado pelo Decreto-Lei nº 4.791, de 05/10/42. Nessa troca de moeda do Brasil, os Réis foram substituídos pelo Cruzeiro e 1 mil Réis passaram a valer 1 Cruzeiro, tendo sido este o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.

Ainda que desde o início de 1930 o então presidente Washington Luís já viesse pretendendo uma reforma monetária, esta somente se deu durante o governo de Getúlio Vargas. Foram vários os motivos para postergá-la por mais de uma década, dentre eles, a crise do capitalismo de 1929, a Revolução de 30, e, em especial, em decorrência da inflação gerada durante a Segunda Guerra Mundial.

A escolha do nome dessa nova moeda baseou-se na constelação do Cruzeiro do Sul, escolhida como símbolo da pátria.

Os valores eram de 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Por um curto período existiram também as notas de 1, 2 e 5 Cruzeiros, mas essas somente foram introduzidas em circulação por conta da situação de guerra, uma vez que havia falta de condições para a emissão de moedas metálicas.

Pelos próximos 25 anos seriam estas as cédulas que circulariam pelo Brasil, paulatinamente eliminando o sistema monetário anterior que, em última instância, ainda havia sido herdado do antigo Governo Português. Diferente do antigo sistema, não houve diversas estampas para cédulas do mesmo valor, de modo que elas perduraram no tempo e facilitaram o seu reconhecimento pela população. Foram as seguintes as cédulas lançadas (as originais não tinham esses carimbos – mais pra frente eu o explicarei):

Cr$1,00. Na face possuía Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré (1807-1897), ao centro; no verso, a Escola Naval do Rio de Janeiro.

Cr$2,00. Na face possuía Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880), ao centro; no verso, a Escola Militar de Resende, fundada em 1944 (em 1951 teve o nome mudado para Academia Militar das Agulhas Negras).

Cr$5,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), ao centro; no verso, “A Conquista do Amazonas”, de Antônio da Silva Parreiras.

Cr$10,00. Na face possuía Getúlio Vargas, Presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, ao centro; no verso, a Alegoria Unidade Nacional.

Cr$20,00. Na face possuía Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, “Proclamação da República”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$50,00. Na face possuía a Princesa Isabel (1846-1921) ao centro; no verso, “Lei Áurea”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$100,00. Na face possuía D. Pedro II ao centro; no verso, “Cultura Nacional”, quadro de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$200,00. Na face possuía D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Pedro Américo.

Cr$500,00. Na face possuía D. João VI ao centro; no verso, “Abertura dos Portos”, alegoria de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$1.000,00. Na face possuía Pedro Álvares Cabral (1467-1520) ao centro; no verso, “A Primeira Missa no Brasil”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

Em 1961, já tendo passado pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra, novamente Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubischek, Jânio Quadros e João Goulart, houve a primeira experiência de emissão de cédulas por parte da Casa da Moeda do Brasil, que emitiu uma nota de 5 Cruzeiros que passou a ser conhecida como a Nota do Índio.

Cr$5,00. Na face possuía a figura de um índio à direita; no verso, ao centro, um lago com vitórias régias.

Mais uma vez a inflação voltou a assombrar o Brasil e, por conta disso, em 1963 foi lançada a nota de 5.000 Cruzeiros e, mais tarde, em 1966, já em plena Ditadura, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, também foi lançada a de 10.000 Cruzeiros. A primeira fabricação ficou a cargo da American Bank Note Company e a segunda, da Thomas de La Rue & Company Limited.

Cr$5.000,00. Na face possuía Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746-1792), ao centro; no verso, “Tiradentes ante o Carrasco”, quadro de Rafael Falco.

Cr$10.000,00. Na face possuía Alberto Santos Dumont (1873-1932) à direita; no verso, 14-bis à direita.

Mas a essa altura do campeonato a Ditadura Militar já estava estabelecida e novas medidas seriam necessárias… O AI-5, o mais infame de todos os Atos Institucionais, foi emitido em 13 de dezembro de 1968 e resultou no imediato fechamento do Congresso Nacional, na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

Com tudo que estava acontecendo no país naquele momento parece até bobagem tratar de uma coisinha boba e pueril como o sistema monetário nacional e esse tal de negócio chamado inflação… Mas era necessário. E uma nova moeda estava a caminho…


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – III

Republiquemo-nos!

(Ainda no Mil-Réis…)

Chegou o ano de 1889 e, com ele, a Proclamação da República. Com o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, começa de novo todo o trabalho de “colocar a casa em ordem” (conforme o gosto do ocupante do cargo, é lógico). Foi mantido o padrão “Mil-Réis” e o Governo Provisório Republicano caiu na besteira de permitir que alguns bancos emitissem cédulas – o que, obviamente, resultaram na multiplicação dos peixes. Ou, no caso, do dinheiro. Estava demais. Assim retornou-se à ideia de um único emissor que, de 1892 a 1896, já com Floriano Peixoto e, em seguida, Prudente de Morais, foi o Banco da República do Brasil (sendo este considerado o “terceiro” Banco do Brasil, resultado da fusão do falido Banco do Brasil anterior e o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil – BREUB).

Só que, mais uma vez, o furdúncio já estava feito. A grande quantidade de bancos emissores acabou provocando uma grave crise financeira, de modo que em 1896 voltou à incumbência do Tesouro Nacional ser o único responsável pela emissão das cédulas e a partir daí todas as cédulas em circulação foram substituídas por cédulas padronizadas do Tesouro Nacional.

Entre 1896 e 1923 (passando nesse período pelos presidentes Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa e Artur Bernardes), além da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, outros fabricantes estrangeiros receberam encomenda de cédulas brasileiras, tais como Bradbury Wilkinson, Georges Fuval, Cartiére Pietro Milani, American Bank Note Company e Thomas de La Rue & Company Limited.

Nesse período, foram lançadas cédulas com valores que variavam desde 500 Réis até um conto de Réis (um milhão de Réis) e, novamente, para cada valor, diversas estampas:

500 Réis (4 estampas). A quarta, de 1901, possuía na face a efígie da República à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000 Réis (13 estampas). A décima terceira, de 1923, possuía na face David Campista, Ministro da Fazenda (1906-1909) ao centro; no verso, o valor facial.

2.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1923, possuía na face Joaquim Murtinho (Ministro da Fazenda, 1898-1902) ao centro; no verso, a inscrição REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL e valor facial.

5.000 Réis (19 estampas). A décima nona, de 1942, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, ao centro; no verso, a Alegoria da Indústria e do Comércio.

10.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1942, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Salles, Presidente da República 1898-1902, ao centro; no verso, a Avenida Beira Mar, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (16 estampas). A décima sexta, de 1942, possuía na face o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, uma mulher sentada representando Minerva.

50.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Xavier da Silveira Júnior (1864-1912) à esquerda; no verso, o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

100.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Alberto Santos Dumont (1873-1932) ao centro; no verso, vista da Enseada da Glória, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Saldanha Marinho (1816-1895) à direita; no verso, vista do Flamengo e Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1936, possuía na face Floriano Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1921, possuía na face a Alegoria do Comércio à esquerda; no verso, valor facial.

A partir de 1923 e até 1930, ainda com o presidente Artur Bernardes e também com Washington Luís, a emissão da moeda de papel ficaria novamente sob a incumbência do Banco do Brasil (sendo este o “quarto” Banco do Brasil – o atual -, resultado da encampação pelo governo da mais uma vez falida instituição anterior), finalmente com tecnologia suficiente para criar uma família de cédulas que praticamente não permitiu falsificações:

1.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Sales, Presidente da República de 1898 a 1902, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

2.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Prudente José de Morais, Presidente da República de 1894 a 1898, à direita; no verso, as Armas da República e valor facial.

5.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

10.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Francisco de Paula Rodrigues Alves, Presidente da República de 1902 a 1906, ao centro; no verso, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Artur da Silva Bernardes, Presidente da República de 1922 a 1926, à direita; no verso, o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

50.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda (1793-1870), à esquerda; no verso, o Canal do Mangue, no Rio de Janeiro.

100.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Diogo Antônio Feijó (1784-1843) ao centro; no verso, a Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro II à direita; no verso, o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (2 estampas). Num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) à esquerda; no verso, o Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

1.000.000 Réis (2 estampas). Também num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

E entre 1918 e 1935, mais uma vez com a finalidade de facilitar o troco, foi cunhada uma nova série de moedas em cuproníquel que substituíram as cédulas de valores pequenos e as moedas antigas. É desse período a moeda de 100 Réis que assumiu o apelido de “Tostão”, antes pertencente à antiga moeda de LXXX Réis…

Nesta terceira parte dessa história passamos pela chamada “República Velha”, que perdurou até 1930, e começamos a entrar na era ditatorial de Getúlio Vargas. Como veremos a seguir, nos 53 anos de sobrevida do “Mil-Réis” junto ao período republicano, mais uma vez – pelos mais diversos motivos nacionais e internacionais – a moeda brasileira estava desvalorizada. Era preciso tomar uma providência – a qual já vinha sendo engedrada desde 1930 mas somente se efetivaria em fins do ano de 1942…


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – II

Brasil: Império Independente!

Mil-Réis

Como toda grande mudança implica em “botar a casa em ordem”, com o Brasil não foi diferente. Com a independência proclamada em 1822 teve início o Império Brasileiro, tendo D. Pedro I como imperador. Seu período inicial foi marcado por profunda crise (êêê… já começou…) devido às dificuldades de organizar uma nova nação, pois toda gastança necessária resultou na diminuição da quantidade de ouro e prata em circulação, de modo que predominavam as moedas de cobre.

Aliás as moedas mantiveram o mesmo padrão das moedas do período colonial, sofrendo pequenas alterações para se adequar à nova situação política. As Armas de Portugal foram substituídas pelas do Império e acrescentou-se a frase “IN HOC SIGNO VINCES” (“Com este sinal vencerás”).

Já que o “Brasil era nosso”, com o tempo algumas padronizações foram necessárias. Como a população já estava acostumada com o “Réis” como sendo o dinheiro oficial e, graças à desvalorização através do tempo, o “Mil-Réis” é o que fazia parte de seu dia a dia, o então Imperador D. Pedro II (veja só: com apenas 8 anos de idade…) resolveu oficializar essa situação através da Lei nº 59, de 08/10/1833, de modo que o Mil-Réis passou a designar a unidade monetária e Réis os valores divisionários (algo como nossos centavos de hoje em dia). Na mesma época ficou conhecido o Conto de Réis, que correspondia a 1 milhão de Réis ou mil Mil-Réis.

Confuso? Nem tanto. Imaginemos a importância de “2 contos, 320 mil e 160 Réis”. Sua grafia seria assim: R2:320$160.

A nova “família” de moedas criada desde então, ainda que com os mesmos valores de referência de réis, foi conhecida como “Cruzados”.

Pois bem. Com o império já estabelecido era necessário garantir o progresso econômico do país, o que por sua vez exigia recursos monetários distribuídos por várias regiões. Para suprir essa demanda começaram a surgir bancos em diversas cidades brasileiras e, com as bênçãos do governo, cada qual emitindo dinheiro – isto é, tal qual na época de D. João VI, “bilhetes pagáveis ao portador”.

Foi um período interessante e de transformação para a população. Aquela “moeda de papel” foi aos poucos conquistando sua confiança, que começou a adquirir o hábito de usá-la em substituição ao conhecido dinheiro de metal – principalmente quando se tratava da necessidade de se transportar grandes quantias.

Mas Murphy é Murphy em qualquer época! Pra “ajudar” nos trancos e barrancos que um sistema monetário nacional incipiente e em surgimento por si só já tem, eis que desse nosso povinho começaram a surgir inúmeras falsificações. Lembram que, pela escassez dos metais nobres, predominavam as moedas de cobre? Então. Com esse tipo de metal em abundância, essas moedas eram facilmente falsificáveis. Para tentar acabar com isso a partir de 1833 o governo passou a emitir cédulas do Tesouro Nacional que serviam exatamente para substituir as moedas de cobre em circulação.

Vejam o furdúncio: além de todas aquelas antigas moedas em circulação, tínhamos as moedas de cobre falsificadas, os antigos bilhetes ao portador do extinto Banco do Brasil, as cédulas dos bancos locais e mais as cédulas emitidas para troca do cobre. E tudo circulando como moeda corrente! Era preciso começar a dar um basta nisso!

E foi assim que em 1835, não só visando resolver esse problema mas também para uniformizar as cédulas em circulação, o governo emitiu a primeira família de cédulas próprias, criadas e impressas na Inglaterra pela Perkins, Bacon & Petch.

Foi essa a primeira vez que o Tesouro Nacional assumiu o monopólio das emissões de dinheiro.

O Segundo Banco do Brasil

O segundo Banco do Brasil foi criado pelo Visconde de Mauá, e foi formado pela fusão do antigo Banco do Brasil com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, tendo iniciado suas atividades em 1854, passando a ser o único emissor de moeda.

Com a generalização do uso de cédulas, a cunhagem de moedas direcionou-se para a produção de valores destinados ao troco. O cobre foi sendo substituído por ligas modernas, mais duráveis, de modo a suportar a circulação do dinheiro de mão em mão. A partir de 1868 foram introduzidas moedas de bronze e a partir de 1870 moedas de cuproníquel (uma liga de cobre e níquel). Com essa palavrinha difícil para a população – “cuproníquel” – por comodidade foi anunciada como se fosse apenas de “níquel”; e daí, dada a nossa brasileira facilidade de criar apelidos para seja lá o que for, de “níquel” pra “Nicolau” foi só um instante…

No tocante às cédulas, no decorrer do tempo as mesmas muitas vezes eram fabricadas com diversas estampas (com as figuras/apresentação diferentes), ainda que com o mesmo valor, por conta das falsificações. Pela ordem cronológica, ainda durante o Império, foram lançadas pelo Tesouro Nacional as seguintes cédulas:

1.000 Réis (lançada em 1835, teve 7 estampas). A sétima, de 1888, possuía na face o Museu Imperial de Petrópolis à esquerda e D. Pedro II à direita; no verso, a estátua equestre de D. Pedro I, com a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

2.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A oitava, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda e a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo (Rio de Janeiro) à direita; no verso, a Rua Direita, no Rio de Janeiro.

5.000 Réis (lançada em 1835, teve 9 estampas). A nona, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda, um querubim ao centro e a Alegoria das Artes à direita; no verso, as Armas do Império, a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

10.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A oitava, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda, o Brasão do Império ao centro e a Alegoria da Fortuna à direita; no verso, as Armas do Império, a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

20.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A sexta, de 1870, possuía somente a face, com a vista do Ancoradouro do Rio de Janeiro ao centro e figuras alegóricas à esquerda e à direita.

50.000 Réis (lançada em 1835, teve 6 estampas). A segunda, de 1839, possuía somente a face, com o Brasão do Império do Brasil à direita e a Alegoria da Justiça com a data da independência brasileira ao centro.

100.000 Réis (lançada em 1835, teve 5 estampas). A quarta, de 1867, possuía somente a face, com a Alegoria do Descobrimento do Brasil ao centro e figuras alegóricas à esquerda e à direita.

200.000 Réis (lançada em 1835, teve 6 estampas). A quarta, de 1867, possuía somente a face, com D. Pedro II nos cantos superior esquerdo e inferior direito, bem como a Alegoria da Justiça ao centro.

500.000 Réis (lançada em 1836, teve 5 estampas). A quinta, de 1885, possuía na face D. Pedro II acima, o Brasão do Império à esquerda e uma mulher à direita; no verso, D. Pedro II à esquerda e a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e Armas do Império à direita.

500 Réis (lançada em 1874, teve 2 estampas). A segunda, de 1878, possuía na face D. Pedro II ao centro, ladeado por duas figuras femininas; no verso, as Armas do Império do Brasil, a inscrição IMPERIO DO BRASIL e valor facial.

Aliás, uma curiosidade inútil: sabiam que D. Pedro II foi a personalidade cujo rosto mais apareceu na moeda brasileira?

Bem, nesta segunda parte dessa história pudemos verificar que esse negócio de emitir moeda não era fácil não! Desde priscas eras esse nosso povinho já tinha uma certa predisposição para querer levar vantagem em tudo, certo? (e olha que a “Lei de Gérson” somente viria muito tempo depois…), pelo que a falsificação era uma constante. Para tentar coibir isso, durante os 67 anos que durou o Império Brasileiro foi emitida uma variedade absurda de cédulas, sempre tentando cada vez mais melhorar a qualidade de sua confecção. Mas a vindoura República também teria seus próprios problemas!


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – I

Outro dia estava no escritório das meninas conversando sobre atualização de valores. No mundo do juridiquês moderno não há mais que se ter um contador à mão para fazer os cálculos de correção monetária, juros e multas para liquidação de sentenças judiciais: para tudo há um aplicativo, para tudo há um programa, para tudo há um complemento, um plugin, um sei-lá-o-quê, on-line ou off-line, que permite fazer as contas em poucos minutos.

Tá, às vezes não tão poucos assim…

E era exatamente o que estava acontecendo: o bendito do programa on-line funcionava somente em um computador e não no outro, ao que me foi perguntado se dentro de meus conhecimentos de tecnomagia eu teria a resposta para configurar direito aquele perrengue.

“Sei não… Até porque nunca usei um desses programas. Confio mais nos cálculos que eu mesmo faço através das planilhas que tenho lá nas catacumbas de meu computador. Já tem toda a previsão de conversão de moeda, atualização, juros, multas, o escambau!”

Ainda não foi dessa vez que elas me atiraram do nono andar, mas ói que estiveram bem perto disso…

Pô, que culpa eu tenho se quando comecei a advogar me especializei justamente em liquidação de sentenças? Oi? Não sabem o que é isso? Fácil: é pegar todo aquele emaranhado de juridiquês que o juiz proferiu na sentença (cuja linguagem empolada muitas vezes aproxima-se do sânscrito arcaico) e transformar os valores em numerozinhos inteligíveis. Ou seja, é “tornar líquido” o direito conferido pela sentença, transformá-la num valor palpável e atualizado.

E, para isso, tenho minhas boas e velhas planilhas, de já há duas décadas, mas que continuam dando conta do recado!

Mas isso me fez pensar um bocadinho…

Aliás, vamos combinar: na realidade TUDO me faz pensar um bocadinho!

O negócio é que fiquei elucubrando acerca de todas as atualizações de moeda que já tivemos – a maioria delas decorrentes de desastres políticos na economia – e que nos trouxeram até os dias de hoje. Andei dando uma fuçada aqui, aqui e, em especial, aqui… Então, como era muita informação esparsa, resolvi juntar toda essa informação num único lugar, ou seja, cá no nosso Legal.

É isso mesmo, meu povo: senta que lá vem história!

Das compridas, mas nem tanto…

Período Colonial

Antes de termos a moeda própria…

Desde que o ser humano se entende por gente passou a compreender que era necessário praticar atividades comerciais para obter aquilo que precisasse. Ou que quisesse. A habitual prática do escambo (troca de mercadoria por mercadoria) nem sempre tinha lá muita precisão, afinal o troco era meio impossível quando, digamos, um cavalo valia duas vacas e meia…

Para facilitar essas atividades comerciais era necessário algo que fosse aceito por todos como meio de troca e, por isso, criamos essa ficção chamada “moeda”.

E acho que foi a partir daí que a coisa começou a descambar com a humanidade! Uns têm demais, outros têm de menos; uns ganham muito, outros ganham pouco; uns exploram, outros são explorados… Desde que o mundo é mundo tem gente que sofre, que engana e que até mata pelo vil metal.

E cá nestas nossas terras brasileiras o furdúncio já começou desde o início, lá nos idos de 1500…

Bem no comecinho, ainda durante o período colonial, logo após Cabral ter encalhado por aqui e sob a batuta do então rei de Portugal, D. Manuel I, as atividades comerciais eram principalmente baseadas no tal do escambo que já lhes falei. Fora isso, por falta de moeda própria, o negócio era usar as moedas de outros povos mesmo. Afinal de contas a portuguesada chegou por aqui e encontrou uns 3 milhões de índios peladões que não estavam nem aí para esse tal de comércio e que, em troca de víveres e outros bens preciosos, aceitavam espelhinhos, colares e outras bugigangas das lojas de um e noventa e nove da época.

Desse modo, era somente a “população civilizada” que tinha a necessidade de usar moedas para seus negócios. Na mesma medida em que foi aumentando essa população foi também aumentando a circulação de moedas – não só as portuguesas, mas as de diversos outros países, trazidas pelos próprios colonizadores, por invasores, por comerciantes dos mais diversos e até mesmo pelos piratas.

Real Português

A nossa moeda que não era a nossa

Como Portugal era constituído de diversos reinados, de cada um vinha algum tipo de moeda, em geral cunhada em ouro, prata ou cobre, que tinham os mais diversos nomes e apelidos, tais como Português, Cruzado, São vicente, Tostão, Vintém, etc. Entretanto o sistema monetário vigente era um só: o “Real Português” – que, é lógico, a gente tinha que avacalhar e passar a chamar a bagaça de “Réis”.

E já que a bendita da população não parava de aumentar, nos séculos seguintes começaram a enfrentar a escassez da moeda: estava faltando dinheiro suficiente em circulação para atender as demandas locais. E toca a brasileirada a voltar para o escambo! Como forma de pagamento – inclusive, em alguns casos, com reconhecimento oficial, chancelado pelo governo de então – tínhamos o açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau, cravo, couro e até mesmo aguardente. É isso mesmo: a boa e velha cachaça era aceita como forma de pagamento pelos comerciantes da época!

A primeira moeda brasileira não era brasileira

Em meados de 1600, mais ou menos durante os reinados de D. João IV e D. Afonso VI (já tendo passado desde então pelos reinados de D. João III, D. Sebastião, D. Henrique e D. Filipe I, II e III), Portugal estava arruinado financeiramente, sem condições de ampliar as defesas na Colônia Brasileira e, para evitar um desastre maior, viu-se obrigado a assinar um acordo de paz com os holandeses que já estavam começando a tomar conta do pedaço.

Estabelecidos em Pernambuco, as remessas de florins, soldos e xelins pela Holanda não eram suficientes para atender as necessidades da administração holandesa no Brasil. Assim, para resolver esse problema, os holandeses foram os responsáveis pela primeira cunhagem de moedas em território brasileiro, ainda que de forma bastante rudimentar, e foram as primeiras a trazerem o nome do Brasil. Eram feitas em ouro, tinham formato retangular e apresentavam a inscrição “G.W.C.”, que corresponde às iniciais em holândes de “Companhia das Índias Ocidentais” (“Geoctroyeerde West-Indische Compangnie”).

Cunhadas a partir de 1645, essas moedas ficaram conhecidas como “moedas obsidianas”, “moedas de cerco” ou “moedas de emergência”. É que em numismática (ciência que tem por objeto de estudo as moedas) “obsidional” é o termo que serve para indicar a moeda de emergência cunhada durante um assédio (do latim obsidium).

Extremamente raras, foram cunhadas em ouro nos valores de III, VI e XII florins, e em prata no valor de XII soldos. Quanto vale isso? Não tenho nem a mais afastada ideia!

Réis

Primeira Casa da Moeda no Brasil

Ainda que os holandeses tenham resolvido seu próprio problema local de falta de moeda, o resto do Brasil continuava na mesma. Era preciso remediar isso através da cunhagem de novas moedas em território brasileiro, de modo que em 1694, lá pelo reinado de D. Pedro II (o de Portugal, não o “nosso”…), Portugal determinou a criação da primeira Casa da Moeda no Brasil, na Bahia. Mais tarde foi transferida para Pernambuco e, finalmente, em 1702, estabeleceu-se no Rio de Janeiro.

Foi dessa forma que surgiu nossa primeira moeda verdadeiramente brasileira, de uso exclusivo na Colônia. A partir de 1695 foram cunhadas moedas de ouro nos valores de 1.000, 2.000 e 4.000 réis, bem como moedas de prata nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis.

Em particular a moeda de 20 réis, com o tempo, acabou ficando conhecida como “Vintém”, que era a menor quantidade de dinheiro que alguém poderia possuir. Daí vem a frase: “Fulano não tem sequer um vintém”.

E, ainda, como se já não bastasse que o “Real Português” tivesse se transformado em “Réis” cá em nossas terras, a corruptela prosseguiu e qualquer quantia de mil réis passou a ser pronuciada como “merréis”, que, com o tempo acabou virando sinônimo de dinheiro: “Me dá alguns merréis!”

Outra curiosidade está na série de moedas menores, destacando-se a de 320 Réis, que ficou conhecida como “pataca” (cujo nome originou-se da moeda mexicana). Desse modo a moeda de 160 Réis dessa série correspondia à “meia pataca”, o que no dito popular acabou por designar alguma coisa de pouco valor ou de má qualidade, algo que não vale nada: “Isso não vale meia pataca!”.

De uma para Três

A partir de 1700 houve um notável aumento da produção de ouro no Brasil, de tal monta que para dar conta da transformação de todo ouro que vinha dessa exploração foram necessárias três casas da moeda funcionando simultaneamente. Isso porque as moedas eram produzidas também para Portugal e tinham que ser cunhadas de forma idêntica às do reino português.

Mesmo naqueles tempos a moeda também desvalorizava, de modo que era preciso cunhar moedas de maior valor para diminuir a quantidade a se carregar. Daí que a partir de 1724, já com D. João V ostentando a coroa portuguesa, na Casa da Moeda de Vila Rica, em Minas Gerais, surgiram as moedas de 10.000 e de 20.000 réis – que ficaram conhecidas como “dobrões” (e não, isso não tem nada a ver com Jack Sparrow…).

A partir de 1727, uma nova série de moedas surgiu: os “Escudos”. Possuíam valores de 400, 800, 1.600, 3.200, 6.400 e 12.800 réis e passaram a adotar a tradição europeia, trazendo a figura do governante de um lado (no caso, D. João V) e as armas do reino do outro. E vem daí mais um de nossos termos usuais relativo às moedas: definimos cada um de seus lados como “cara” ou “coroa”

Juntamente com essas moedas de ouro e prata também circulavam moedas de cobre, que foram sendo cunhadas no decorrer do tempo, havendo as de V, X, XX, XL e LXXX Réis, todas com o Brasão do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e com a inscrição em latim “PECUNIA. TOTUM. CIRCUMIT. ORBEM” (“O dinheiro circula pelo mundo todo”).

Foi quando surgiu o apelido de “Tostão” para a moeda de LXXX Réis (ou seja, para aqueles que não têm intimidade com algarismos romanos, Oitenta Réis). A palavra tostão tem origem no francês teston, que era uma moeda de prata com a efígie de um monarca. Já o termo francês foi emprestado do italiano testone, que era uma antiga moeda da segunda metade do século XIII, e a palavra significava literalmente “cabeça grande” (muito provavelmente num dos lados dessas moedas havia um senhor de um cabeçudo. Apesar de nas moedas brasileiras de então não haver nenhuma cara ou cabeça “descomunal”, mas apenas o brasão real ou imperial (conforme a época em que tenham sido cunhadas), o apelido pegou.

Um detalhe: mais tarde esse apelido seria “transferido” para a moeda de 100 Réis, já durante a República.

O Primeiro Banco do Brasil

Sim, sim: o “primeiro”! O que está aí nos dias de hoje já é a quarta versão dessa instituição… Mas voltemos ao fio da moeda. Ops, digo, da meada…

E eis que em 1808, já há muito passado o reinado de D. José, e sob o comando de D. Maria I (que ficou carinhosamente conhecida cá em nossas terras como “A Louca”) escorraçada de Portugal por Napoleão, a Família Real Portuguesa chegou nos portos brasileiros acompanhada de uma comitiva de apenas alguns milhares (sim, eu disse milhares) de pessoas, entre fidalgos, funcionários públicos, militares e membros do clero. O Brasil deixaria de ser o mero Vice-Reino e passaria a ser a Sede da Monarquia Luso-Brasileira, cuja corte graciosamente se instalou na própria cidade do Rio de Janeiro. E graças a esse destemperado aumento demográfico, que coincidiu justamente com a queda na produção de ouro no país, mais uma vez a quantidade de moedas em circulação tornou-se insuficiente.

Para “resolver” o problema naquele mesmo ano de 1808 D. João VI (que era o regente de fato, graças ao estado “mentalmente instável” de sua mãe) criou o Banco do Brasil, afinal era indispensável levantar recursos necessários à manutenção das sempre crescentes despesas da Corte…

Já em 1810 começaram a ser emitidos os primeiros “bilhetes” do Banco, precursores das cédulas atuais. As primeiras cédulas foram impressas com um layout semelhante ao das libras inglesas e eram bilhetes pagáveis ao portador, com valores a partir de 30 mil Réis, lastreados na fortuna da Coroa, ou seja, o dinheiro que trouxeram do Reino quando da debandada – algo em torno de 22 milhões de Libras.

Mesmo assim, em 1829, devido ao grande descontrole na emissão desses bilhetes, esse primeiro Banco do Brasil foi extinto.

Foi ainda durante o final da estadia da Família Real no Brasil que começaram a ser produzidas moedas de cobre com o valor de 37 ½ Réis, que ficaram conhecidas como “Vintém de Ouro” (isso porque, se o vintém tradicional já era um “nada”, este era um “nada um pouquinho maior”…). O porquê dessa medida estapafúrdia? Sinceramente não descobri. Ah, e junto com essa também havia a de 75 Réis.

Bem, esta foi apenas a primeira parte dessa história. Com mais de três séculos de ocupação, eis que o Brasil ainda não tinha sua própria moeda, pois, apesar de todas as variedades cunhadas por aqui, ainda assim eram moedas do Reino Português. E mesmo essas já estavam desvalorizando através do tempo! Somente com a autonomia do país, somente através de sua própria independência, é que talvez fosse possível tentar “melhorar” essa situação – como veremos no “próximo episódio”…

(Observação: É certo que durante todo o período colonial o Brasil foi localmente administrado por governadores, juntas governativas e vice-reis, desde 1549, com Tomé de Souza, até 1808, com Marcos de Noronha e Brito (Conde dos Arcos) – mas estes não tinham lá tanta autonomia em termos de decisões sobre o sistema monetário, o que cabia à Coroa Portuguesa.)


(Continua…)

Convites e mais convites

No meio de mais uma madrugada – pra variar – insone, eis que mais uma vez comecei a dar uma arrumada na papelada que teimo em guardar e que, de tempos em tempos, teimo em jogar fora…

Como eu estava fazendo algumas anotações sobre genealogia numa pasta (virtual), fui procurar uma pasta (física) que deveria ter alguns documentos que me serviriam. E eis que começo a encontrar alguns outros “documentos” que nem eu mais lembrava que estavam por ali!

Antes de mais nada, deixa eu explicar uma coisinha: em termos de genealogia as pesquisas em fontes “primárias” são totalmente confiáveis e normalmente são feitas tendo por base certidões e registros diversos de cartório; as pesquisas em fontes “secundárias” são relativamente confiáveis, tendo por base outros estudos já efetuados por outros genealogistas e que estão registrados em livros, artigos, etc; e, por fim, as pesquisas em fontes “terciárias” são confiáveis na justa medida em que envolvem fé, imaginação e chutologia, tendo por base a acurada análise de toda e qualquer migalha de informação que possa vir à mão, tais como relatos de parentes, registros de qualquer tipo, notícias de jornais, atas de reuniões e até mesmo convites de casamento…

E é esse o ponto!

No meio da papelada das famílias que estudo ainda tenho diversos convites de casamento guardados como referência de datas e parentescos. E me surpreendi ao constatar que em alguns casos já se passaram mais de dez anos!!! Vejam só:

Sheila & Rodrigo

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Milena & Carlos

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E como não podia deixar de ser, xereta que sou, fui atrás também daqueles do meu próprio casamento. De ambos…

Adauto & Mieko
(Não encontrei um impresso, mas esta foi a “arte” que lhe deu origem.)

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Adauto & Evanilda
(Também era de dobrar, mas essa parte de cima na realidade era a parte externa do convite.)

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Pois é… O tempo voa, não é mesmo? Sei que tenho por aqui em algum lugar uma raridade ainda maior: o convite de casamento de meus pais! Assim que achar também compartilharei cá neste nosso cantinho virtual…

Antonio Mineiro


Antonio Mineiro e sua charrete.

Antonio Antunes Júnior foi meu bisavô pelo lado materno. Nasceu em 11 de fevereiro de 1889 em Mogi Mirim, SP, filho de Antonio Antunes, legítimo português, e de Francisca de Paula Romana, natural de Ouro Fino, MG.

Apesar de paulista, era conhecido no bairro como Antonio Mineiro, sujeito de gênio forte e pavio curto. Lavrador e conhecido amansador de cavalos, morava em Santana, sendo que sua casa ficava ali no finalzinho da Av. Princesa Izabel, antes da última curva, e suas terras avançavam tanto pro lado da Vila Cristina quanto pro lado do Rio Paraíba, onde construiu diversas casinhas de quarto-cozinha que alugava e lhe dava sustento na velhice.


A casa de meu bisavô, década de oitenta. Hoje é um depósito de bebidas…

Foi nessa casa que o conheci e apesar de ele ter falecido em 3 de maio de 1974, no dia seguinte dos meus recém completadados cinco anos, ainda lembro-me dele – em especial de sua cadeira de balanço, que ficava bem na cozinha de piso de caquinhos e cimento queimado, ao lado de uma pesada e rústica mesa, bem próxima do filtro de barro empertigado no canto da parede. Eu costumava ficar em seu colo e ronda-me na memória a curiosidade que eu sentia em tentar descobrir como é que aquele negócio, que era uma cadeira, ficava indo pra frente e pra trás…

Meu bisavô casou-se três vezes. Seu primeiro casamento foi com minha bisavó, Dyonisia Maria de Jesus, em 1907 – poucos meses após o falecimento de seu pai, o português Antonio Antunes.


Antonio, Dyonisia e suas duas filhas.

O casal teve apenas duas filhas: Benedicta Dyonisia Antunes (a “Tia Dita”) e Maria Dyonisia de Jesus, minha avó. Entretanto Dyonisia, a primeira, minha bisa, faleceu em 1914 durante o parto daquela que seria sua terceira filha – mas ambas não resistiram. Minha avó tinha apenas dois anos quando ela faleceu.

O segundo casamento de meu bisavô se deu em 23 de dezembro de 1916, com Maria José do Nascimento, mineira de Conceição dos Ouros, nascida em 1900.


Antonio, Maria José, as duas filhas do primeiro casamento e três do segundo.

Além de criar as duas enteadas, Maria José teve ainda dezoito filhos. É isso mesmo: DE-ZOI-TO! Mas destes somente nove sobreviveram… Ela faleceu em janeiro de 1942, durante o parto da última das crianças.

Nesse meio tempo Dyonisia, sua filha caçula do primeiro casamento (minha avó), acabou casando com meu avô, Bernardo Claudino Nunes, em 1931. Tiveram duas filhas: Dionísia Nunes (minha tia, hoje na Itália) e Bernardete Nunes, minha mãe. Entretanto Dyonisia, a segunda, minha avó, faleceu em 1945 de doença desconhecida. Minha mãe tinha apenas dois anos quando ela faleceu.


Meus avós: Maria Dyonisia e Bernardo.


Meu avô Bernardo, Antonio Mineiro e meu tio-avô Claudino.

Já o terceiro casamento de meu bisavô foi por volta de 1944 com Guilhermina Libano (ou “Libaneo”), nascida em 1897 em Borda da Mata, MG. Quando minha avó faleceu, meu avô trabalhava em São Paulo e precisou deixar suas filhas (minha tia e minha mãe) com Antonio e Guilhermina, em São José dos Campos.

E foi ali, naquela casa, que minha mãe cresceu e veio a conhecer um tal de José Bento de Andrade (vulgo meu pai), moçoilo garboso, vindo da roça e cheio de boas intenções… Diz a lenda que quando meu pai foi pedir minha mãe em namoro para Seo Antonio Mineiro, ele olhou bem fundo nos olhos daquele rapagote, esticou a mão mantendo três dedos levantados e foi dizendo enquanto abaixava cada um dos dedos:

“Quer casar, hein? Então senhor José entenda que comigo a coisa funciona assim: são três meses para namorar (baixa um dedo), noivar (baixa outro dedo) e casar (baixa o terceiro dedo e mostra um ameçador punho fechado)…”

Se foi por isso ou não, sinceramente não sei. Só sei que não demorou muito pro casalzinho estar bem casado…


Meus pais: Bernardete e José Bento.

Antonio e Guilhermina não tiveram filhos. Após o falecimento dele meu pai construiu uma edícula no fundo de nossa casa e ela veio morar conosco. Cresci chamando-a de “vó”, sem, na época, conhecer a linha complexa de parentesco que nos ligava. Adorava seus pastéis fritos, cuja massa ela mesma fazia, bem como lhe era grato pelos trocados que de vez em quando nos dava – “um agrado”, ela dizia. De minha infância, boa parte enfiado no quintal de casa onde havia um pequeno pomar, eu costumava passar horas em sua companhia, brincando à sua volta, e ouvindo histórias e estórias, as quais infelizmente se perderam no tempo. Faleceu em 1982.

Mas como já havia dito, minha mãe foi criada pelos avós (meus bisavós) e – já devem ter percebido – curiosamente houve uma espécie de ciclo em que histórias se repetiram em gerações consecutivas. Mas ninguém melhor que minha própria mãe, que vivenciou essa história, para contá-la com propriedade. Eis seus apontamentos:

“O tempo passa e a história sempre se repete.

Maria Dionísia de Jesus, nasceu em Borda da Mata, e um ano depois nasceu Benedita Dionísia de Jesus, em 1º de agosto de 1908. Em 29 de outubro de 1909 nasceu outra menina, mas a mãe dessas crianças, Dionísia Maria de Jesus, faleceu no parto – assim como, dias depois, também faleceu a menina.

Mas as irmãs cresceram, unidas e amorosas.

Após dois anos, Antônio Antunes Júnior, seu pai, com dificuldades por ser viúvo e com duas meninas para criar, resolveu se casar com Maria José, que ficou criando as duas meninas e, ao longo de sua vida, teve ainda mais 18 filhos, mas só cresceram Benedita, Palmira, Antônio, João, Bernardete, Helena, Sebastião, Maria Benedita e Aparecida.

Maria Dionísia e Benedita Dionísia, sendo as duas irmãs mais velhas, precisavam trabalhar para ajudar na criação de todos os outros irmãos; enquanto que estes iam para escola, elas ficavam ajudando a madrasta. Maria era muito frágil, e Benedita, mesmo sendo a mais nova, sempre fazia o trabalho das duas, para que nada acontecesse à irmã.

Um dia, Maria, já moça, se casou com Bernardo Claudino Nunes, tendo sido muito doloroso para as duas irmãs se separarem. Maria era moça meiga e dócil, de modo que a madrasta admirava a doçura com que Maria a respeitava e hospedava em sua casa.

Maria tinha os cabelos longos, olhos brilhantes de curiosidade para aprender tudo de bom que havia. Tinha um grande desejo de ser costureira, mas não podia pagar alguém que a ensinasse. Um dia seu marido, chegando em casa disse: “Maria, está aqui um presente. Veja se está a seu gosto.” Ao abrir, que surpresa! Uma máquina de costura, bem usada, mas perfeita, daquelas que eram tocadas à mão – e Bernardo já trouxera também alguns tecidos.

Assim que o marido foi trabalhar, Maria desmanchou uma camisa, passou todos os pedaços, colocou em cima do tecido, cortou e costurou igual a outra, e, quando Bernardo a vestiu, disse: “Perfeito! Ficou muito bom!”. Maria se tornou uma grande costureira, fazia roupas masculinas, femininas, vestidos para noivas e ternos para noivos, ajudando nas despesas do lar.

Já Benedita se casou com Ezechias da Costa Andrade.

Benedita era lavadeira, lavava e passava roupas, e possuía ainda uma hortinha, de modo que os filhos desde pequenos saíam para vender hortaliças, para ajudar o pai, que trabalhava no CTA, em serviços pesados e baixo salário.

Maria teve alguns filhos que faleceram pequenos, um deles se chamava José, sofreu de paralisia infantil, e veio a falecer. Por último nasceu Dionísia, em São José dos Campos, no bairro Pau de Saia. Ali viviam os três, Dionísia, Bernardo, agora carreiro, e a esposa, costureira. Porém, um dia, deu uma doença nos bois de carro e morreram todos. Bernardo, ficando sem saber o que fazer, mudou-se com a família para São Paulo, Capital, no bairro da Lapa, Vila Leopoldina, e foi trabalhar em uma fábrica. A esposa costurava sempre, e após quatro anos nasceu Bernardete, em 10/09/43. Dois anos mais tarde, Maria, que estava doente, muito fraca, veio a casa da irmã Benedita e disse que queria que ela criasse as meninas, pois sabia que podia confiar na irmã. Voltando para São Paulo, foi internada num hospital e faleceu poucos dias depois.

Aí começa novamente a história da vida de duas meninas sem mãe. Só que desta vez a mais velha era mais forte e a menor a mais fraca. Com apenas seis anos de idade Dionísia sentia-se responsável pela irmã e a trazia sempre nos braços para que não chorasse. Ficaram seis meses num orfanato de freiras para que fizesse exames mensais (devido à mãe ter morrido de doença), mas esses exames nunca acusaram nada de grave. Bernardo não sabia mais o que fazer, pois nenhuma pessoa queria cuidar das meninas, e nem mesmo as irmãs não queriam que o pai fosse visitá-las, pois só aumentava o choro das duas quando chegava a hora de ir embora. Foi aí que resolveu trazer as duas meninas para São José dos Campos, no Bairro do Bom Sucesso, para casa dos avós.

Maria José Antunes, a segunda esposa de Antonio Antunes Junior, faleceu no parto do décimo-oitavo filho, e Antonio ficou viúvo pela segunda vez. Depois de dois anos casou-se com Guilhermina Libano, que era natural de Borda da Mata, em Minas Gerais, e ela prontificou-se a criar os enteados e as duas netas.

Mas quando Dionísia fez oito anos o pai a levou para São Paulo, para estudar.

E Bernardete não foi com o pai. Tinha medo de ficar só, pois já tinha perdido a mãe e achava que já havia encontrado uma família. A irmã iria à escola, o pai para o trabalho, e o medo acabou por falar mais alto.

E assim foi a separação das irmãs Dionísia e Bernardete.

A vida é o Trem e o Tempo os trilhos, sempre a separar…”

E, para provar que estamos sempre vinculados a círculos, fadados à repetição em nossas vidas, tenho mais alguma coisinha a acrescentar nessa história, que chegou até nossos dias através dos causos contados em família…

Acontece que Antonio, meu bisavô, na mocidade, enamorou-se de Guilhermina, só que não chegaram a se casar porque suas famílias não o permitiram. Parece que Dona Chiquinha, mãe de Antonio, não aceitava o enlace dos dois pois eram meio que primos. Assim, cada qual tocou sua vida. Antonio casou e enviuvou por duas vezes, enquanto que Guilhermina permaneceu solteira durante toda sua vida.

Quis o destino que voltassem a se encontrar e pudessem consumar o casamento, tão desejado outrora.

Viveram juntos e felizes até o final de seus dias.


Antonio e Guilhermina.

Como costumam dizer por aí, parece que nesse filme da vida só existem cerca de vinte pessoas, e todo o restante são meros atores coadjuvantes…

A Biblioteca

Já faz um bom tempo que não escrevo…

Não tanto por falta de querer, nem menos por não ter assunto – talvez mais pela ausência de algo que me desperte a vontade…

E eis que, dia desses, uma amiga com a casa em reforma contou, toda orgulhosa, o amor que tem por seus mais de mil livros.

Mil livros!

Não é pouco não!

Nos dias de hoje não conheço muitas pessoas que possam se orgulhar de ter um acervo com um número desses (e vocês, os Bicaratos, não contam!)… Conheço, entretanto, uma ou outra moçoila que certamente, ainda que não os tenha, já deve ter lido muito mais que isso, invariavelmente curtindo ao fundo alguma música dos anos oitenta e saboreando uma boa taça de vinho!

Anos oitenta…

Quando essa década perdida começou, contava eu lá com meus dez pra onze anos de idade. Cursava a quinta série numa escola pública – EEPG “Dr. Rui Rodrigues Dória” – em Santana. Pertinho de casa, à distância de apenas duas quadras. Invariavelmente tínhamos um ou outro trabalho pra fazer, quando então era necessária uma pesquisa mais aprofundada. Internet? Google? Redes sociais? Esqueçam! Mas nem os filmes de ficção da época podiam prever este nosso atual “admirável mundo novo”… Assim, sem pré-condicionamentos do que deveríamos ou poderíamos fazer, a biblioteca da escola era o nosso primeiro destino.

Simplesmente pífia!

Não sei se por falta de alguém com conhecimento mais aprofundado, se por falta de recursos ou de vontade mesmo, lá era um lugar onde, na época, mal encontrávamos alguns livros de leitura obrigatória. E só.

Alguns sortudos, de vida mais abastada, ainda tinham em casa a famosa “Barsa” – antiga enciclopédia vendida de porta em porta, constituída por quase duas dezenas de livros de bom tamanho (ótimos como enfeite das prateleiras da sala), e que, em termos de informação e conhecimento, possuía um pouco de tudo em todas as matérias. Lá em casa, quando muito, tínhamos os quatro livros que formavam a “Enciclopédia do Estudante”. Funcionava assim: toda semana chegava nas bancas um novo fascículo e a gente ia montando o conjunto; ao final vinha uma edição especial com a capa dura, quando então juntávamos tudo e levávamos para encadernar. Voilà: um livro inteirinho à nossa disposição!

Mas às vezes nem mesmo isso era suficiente. O negócio era pegar o busão para o Centro (ou, dependendo do dia, ir a pé mesmo – apenas uns três quilômetros) e buscar informações lá na Biblioteca Pública Cassiano Ricardo.

Onde ficava? No mesmo lugar onde hoje se encontra, mas havia algumas fantásticas diferenças na época…

Pra começar, ainda que o acervo já fosse maravilhoso, não havia nada daquela interna construção atual composta de vidro e aço. Era um antigo casarão assobradado. E só. Sabem como é? Com cheiro de casa antiga, cera nos assoalhos de madeira, uma ou outra goteira aqui e ali e – por que não? – algumas teias de aranha esparsas, nos cantos mais altos e difíceis de limpar. Lembro-me bem que lá dentro era geladinho – daquele mesmo tipo de friozinho de quando entramos numa dessas igrejas mais antigas – e sem ter nenhum sistema de ar condicionado em canto algum!

A origem desse casarão remonta ao ano de 1907, quando nem mesmo existia, mas uma comissão formada por moradores do município fez a proposta de construção de um teatro para a cidade. De propriedade de Bertolino Leite Machado, construído pelo Major de Finis e tendo Graciano Fachini como Mestre de Obras, o “Theatro São José” foi inaugurado em 24 de dezembro de 1910. Foi o centro da vida cultural durante as décadas de dez e de vinte, funcionando ainda como cinema e salão de bailes.

Mais tarde, nos anos trinta, juntamente com algumas áreas vizinhas, foi adquirido pela Prefeitura Municipal e nas décadas seguintes abrigou tanto a sede da Prefeitura quanto da Câmara Municipal. O Legislativo saiu dali no final da década de sessenta e o Executivo, na de setenta, quando então a Biblioteca Pública foi transferida para o local, lá permanecendo até os dias de hoje.

Naquela época, no início dos anos oitenta, a entrada se dava pela porta lateral, na Rua Sebastião Hummel, bem de frente com a esquina da Sciamarella, quando já nos deparávamos com o guichê e um balcão nos aguardando logo adiante e, à direita, uma longa escada de madeira.

E era ali, nos degraus daquela escada, que a magia começava!

Ao chegar na parte de cima do antigo sobrado encontrávamos os fichários – se não me engano, eram três: por título, por autor e por assunto. E quando digo “fichário”, é porque era isso mesmo! Cada um dos livros possuía sua correspondente ficha devidamente arquivada, um pequeno pedaço de cartolina retangular devidamente datilografado com informações indicando em que sessão, armário e prateleira as obras estariam nos aguardando. Nada de computadores, buscas ou downloads! O que havia eram alguns bloquinhos de notas ao alcance para anotar os dados e então…

Pensaram que eu ia dizer “bastava pedir para alguém pegar o livro”, certo? ERRADO!!!

Os tempos eram outros e tínhamos acesso direto ao acervo, o que era simplesmente delicioso! Às vezes eu ia buscar um determinado livro e encontrava diversos outros ainda mais interessantes, simplesmente porque estavam todos ali, pertinhos uns dos outro e totalmente acessíveis. E, não raro, eu simplesmente ia até lá para ler alguma coisa. Ainda estava bem no começo do início da minha adolescência, não tinha desenvolvido minha paixão por bicicletas e as meninas eram simplesmente boas amigas e não cada qual um mistério a ser decifrado… Passava tardes inteiras lá dentro da biblioteca!

Foi lá que li toda a coleção do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, e, dentre outros livros esparsos, divertia-me com edições muito antigas de Seleções (“Reader’s Digest”). E, ainda, li todos os livros de Sir Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes, bem como a maioria dos livros de Agatha Christie – os quais mais tarde viria a adquirir através do “Clube do Livro”, mas isso é uma outra história…

E, voltando às pesquisas para a escola, quando encontrávamos um ou outro livro que precisávamos ler com mais calma, em casa, bastava levá-lo para aquele guichê lá no térreo, onde iriam carimbar nossa “carteirinha” com a data de devolução – se não me falha a memória, tínhamos uma semana de prazo.

Mas hoje tudo mudou.

Não só naquele prédio, como também em nossas vidas. O imediatismo e a superficialidade ocuparam o espaço antes dedicado à pesquisa e à profundidade. Tudo tem que ser rápido e facilmente digerível, pois “pensar” é um luxo não permitido em nossa sociedade on line e extremamente conectada. Mesmo no meu ofício – arcanas artes jurídicas – tenho que me utilizar de técnicas de escrita, beirando o jornalismo (estou falando do “bom jornalismo”) para fazer com que alguns magistrados se interessem o suficiente pelo texto para ler uma peça até o final. E que a compreendam de modo claro e inequívoco. Não tem sido fácil, não…

Particularmente, continuo lendo, como sempre. Talvez não tanto quanto gostaria, mas me esforço. No meu criado-mudo sempre tem uns quatro ou doze livros me aguardando, invariavelmente divididos entre aqueles que não consigo largar e aqueles que não consigo voltar. Mas, ainda assim, tenho por obrigação lê-los, todos, até o fim. Coisa de taurino, eu acho.

Quanto à nossa querida Biblioteca, nunca mais voltei lá. De quando em quando até que passo em frente, às vezes de carro ou mesmo à pé, mas não me encorajo a entrar. Talvez seja receio de macular essa sensação boa de lembrança que eu tenho de como, nem tanto tempo atrás, tudo era tão diferente.

Ah, por fim, não que alguém esteja contando, mas da última vez que dei uma conferida lá no meu cantinho (e pra desespero da Dona Patroa), entre livros, gibis, revistas, restaurações e outras edições especiais, o número passava de quatro mil… 😉