O fantástico caso de Joseph Klimber

Eu me lembro do Jô Soares desde seu início de carreira, na década de sessenta, como personagem da Família Trapo, na TV Record (não, eu não estava lá, mas assisti muitas reprises). Passou boa parte de sua carreira no teatro, sendo de destacar a peça Viva o Gordo e abaixo o Regime, lançada em 1978, durante a Ditadura, em pleno Regime Militar! Realmente um trocadalho do carilho! Mais tarde, na Rede Globo, ele participou do programa humorístico Planeta dos Homens, bem como teve o seu próprio: Viva o Gordo. Já no SBT começou sua carreira como talk-show-man no Jô Soares Onze e Meia, voltando depois para a Rede Globo, praticamente no mesmo formato, com o Programa do Jô.

Sempre gostei do tipo de humor que ele fazia, e nos talk shows que comandou tanto entrevistou quanto apresentou inúmeros artistas em seu programa, alguns famosos, outros estreantes, mas sempre de uma maneira pra lá de divertida.

E uma dessas apresentações, que até hoje me faz rir (muito), é o fantástico caso de Joseph Klimber!

 

Só um detalhe: não sei o porquê, mas nessa apresentação faltaram mais duas desgraças ocorrências com nosso herói Joseph Klimber. Antes desse final ele ainda se engasga e engole a própria língua, perdendo assim o emprego, e, para sobreviver, vendeu as próprias córneas, o que o deixou totalmente sem visão. É certo que qualquer um de nós ficaria chateado, desmotivado, abatido, sem vontade de cantar uma bela canção – mas sendo quem é, Joseph Klimber, ainda assim ele conseguiu esse último emprego citado no vídeo…

Dia Nacional dos Psicólogos

E, obviamente, também das Psicólogas.

[Não vou entrar aqui num debate sobre “linguagem neutra”, pois particularmente acho isso uma grande bobagem: “o” é o, e “a” é a; nada de ficar utilizando um inexistente “e” para englobar ambos os gêneros. A estrutura gramatical da língua portuguesa já definiu que havendo elementos masculinos e femininos juntos, o plural masculino prevalece na concordância. E tentar abranger ambos os gêneros numa mesma frase – “Psicólogos e Psicólogas” -, do ponto de vista gramatical é redundante, pois a palavra “Psicólogos”, neste caso, já abrange os dois gêneros. E, mais ainda, ficaria horrível escrever “Dia Nacional des Psicólogues“…]

Esse dia, 27 de agosto, foi instituído nacionalmente como Dia do Psicólogo através da Lei nº 13.407, de 26 de dezembro de 2016.

Mas por qual motivo foi escolhida essa data específica?

Porque, apesar da psicologia ter chegado no Brasil no início do Século XX, somente foi regulamentada como profissão por iniciativa do Presidente João Goulart, que promulgou a Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, que “Dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo”.

Fazendo uma catança na Internet para tentar entender melhor a cabeça dos psicólogos (se bem que eles é que deveriam tentar entender o balaio de gatos que é a minha própria cabeça), começando pelo Código de Ética disponibilizado pelo CRP – Conselho Regional de Psicologia SP, esse documento trata basicamente de suas responsabilidades e de suas vedações e elenca algumas das especialidades que lhes competem. Mas não todas. E também não satisfez o ponto nodal de minha curiosidade: por que, raios, precisamos de um psicólogo???

Fucei mais um tanto e bordando as definições de vários sites, entendi que o psicólogo é um profissional que busca compreender o comportamento humano em suas mais diversas facetas – emocional, autoconhecimento, social e cultural. E é através dessa compreensão que ele tem a capacidade, por meio de muita escuta e muito proseio, de aplicar estratégias específicas e abordagens terapêuticas para nos ajudar em nossos conflitos, habilidades, traumas, e seja lá mais o que for, com a finalidade de buscarmos uma melhor qualidade de vida.

Acontece que a dinâmica da atual hiperconectividade tem a tendência de fazer com que tenhamos problemas nos relacionamentos, crises de ansiedade, estresse, distúrbios alimentares, depressão, abuso de álcool, de drogas, e tantas outras coisas que eu nem seria capaz de enumerar aqui.

Portanto, as orientações e intervenções desses profissionais buscam fazer com que possamos enfrentar os desafios da vida de forma mais saudável.

Pegou a colinha?

Então tá.

Particularmente eu nunca havia botado muita fé nesse time, não. Mas cerca de quase vinte anos atrás, me encontrei numa situação pessoal que estava me consumindo, tirando meu foco, atrapalhando minha vida como um todo. Então resolvi procurar uma psicóloga para ver se conseguiria me ajudar com isso. Lembro-me bem que na primeira sessão praticamente entrei mudo e saí calado, pois tudo que eu conseguia fazer era chorar. Muito. Aos prantos. Mas nas sessões seguintes conseguimos estabelecer uma certa comunicação, apesar de ela mais ouvir do que falar. Mas foi bom. Só sei que, passado algum tempo (não me lembro mais quanto), eu “me dei alta”. E fui cuidar da minha vida.

Desde então, ficou claro para mim que procurar ajuda psicológica não é uma fraqueza. Não são somente os doidos varridos (assim como eu) que buscam esse tipo de auxílio. Na realidade procurar ajuda psicológica é um ato de coragem, é um sinal contundente de que vocês querem enfrentar e resolver seus próprios problemas, sejam eles quais forem.

Aliás, existe uma saborosíssima crônica do Mário Prata que recomendo veementemente a leitura. Vocês vão encontrá-la neste link aqui: Afinal, quem é louco?.

Mas apesar de tudo isso, existe um detalhe que nem sempre a gente consegue perceber: o corpo grita.

E já faz quase dez anos que passei por uma experiência dessas.

Todos os detalhes do que me aconteceu eu já contei lá na série de oito episódios que vocês podem conferir em detalhes aqui: Volta ao Mundo em 80 Horas.

Enfim, quer tenham resolvido ler ou não essa série, em resumo eu fiquei alguns dias internado, inclusive na UTI, por uma suspeita de ataque cardíaco. Mas, passado o susto e após a alta, pude concluir que muito provavelmente o que eu tive foi uma GIGANTESCA crise de ansiedade, ainda que não tenha percebido. Isso porque quem sinalizou foi meu corpo, pois na minha cabeça tudo estava normal. Vejam só: após longos 16 anos trabalhando na Prefeitura, 8 cuidando de todas as licitações do Município e outros 8 como Secretário de Assuntos Jurídicos, eu meio que me acostumei a trabalhar sob pressão. Pressão absoluta. Tudo é pra agora e não há como delegar. E no final de 2016 o nosso partido perdeu na cidade, o que significava que no dia 31 de dezembro cada qual tomaria seu rumo. Mas nesse meio tempo era minha obrigação ajudar a preparar tudo para a transição, disponibilizando todas as informações necessárias para o novo governo. E pensar no que fazer a partir de 1º de janeiro. E como pagar as dívidas que ainda estavam em aberto e as contas futuras. E como dar o melhor encaminhamento para a parte de minha equipe que também estava saindo (servidores comissionados). E como lidar com a arrogância e despeito da parte da minha equipe que ficou na Prefeitura (servidores de carreira). E mil e uma outras pequeninas coisas com que eu teria que lidar antes do final do ano e depois que ele acabasse.

Como eu disse, na minha cabeça estava tudo normal, pois trabalhar sob pressão já era o meu padrão no dia a dia. Mas meu corpo abriu o bico. Não aguentou. E me obrigou a desacelerar mais que bruscamente antes que entrasse em colapso total. Pura ansiedade.

Hoje percebo que, naquela época, teria sido um bom momento para procurar a ajuda profissional de um psicólogo.

Mas não fui.

Simplesmente toquei a vida adiante.

E, enfim, chegamos aos dias atuais. Ou quase. Devido a alguns problemas que não lhes dizem respeito (sosseguem aí, bando de enxeridos!), fui indicado para uma psicóloga “especialista” em casos como o meu. Se bem me lembro não cheguei à terceira ou quarta sessão. Era uma senhora educada, com profundos conhecimentos sobre o tema, mas… como direi? Não deu match. Não conseguimos nos conectar. Inclusive teve um dia em que eu havia tomado umas cagibrinas antes da consulta, vejam só!

E agora, passados cerca de dois anos dessa última “ocorrência”, cá estou eu de novo em terapia semanal com uma outra psicóloga que me foi indicada. Desta vez, com atendimento online.

E gostei.

De um jeitinho bem humorado, toda brejeira, a gente vai proseando, proseando, e sem que eu perceba ela vai enfiando uma broca de vídea de uns cinco milímetros na minha cabeça, abrindo espaço para que eu compreenda e assimile suas ideias e explicações – e mais: fazendo com que eu me enxergue de uma maneira diferente. Não sei se melhor ou pior, mas ao menos, hoje, consigo ter essa consciência.

E, assim, vamos levando a vida.

Um dia de cada vez.

É como diria meu querido amigo David Martin, “a vida é feita de momentos”

Pois é.

E ainda complemento:

A vida é feita de momentos e existem momentos que ficam gravados na memória, pois a memória é feita de sentimentos.

Para cada um de vocês: olhe para trás em sua vida. Busque suas memórias mais antigas. Garanto-lhe que cada uma delas vai de alguma maneira estar conectada a algum evento ou emoção que você sentiu naquele momento. Você pode nem se lembrar do que almoçou ontem, mas aquele jantar romântico especial com seu par que se deu anos atrás continua vívido em sua memória.

É esse tipo de compreensão que tenho aprendido com minha psicóloga toda vez que nos abrimos um com o outro (sim, porque ela também costuma dar exemplos a partir de suas próprias experiências).

E confiança sempre deve ser uma via de mão dupla.

Enfim, voltando ao propósito original deste texto, o que quero mesmo é parabenizar, tanto a ela quanto a todos os outros profissionais da área, pelo dia de hoje, merecidamente dedicado àqueles que têm por missão tentar colocar nossas vidas de volta aos trilhos.

O Dia Nacional dos Psicólogos!

Principais erros a se evitar num processo licitatório

Prof. Randolfo Costa
Especialista em licitações públicas.
Chefe do Setor de Licitações
e pregoeiro no TRT21
Palestrante
Professor de Licitações e Contratos

 

Atenção profissionais de Licitações e Contratos! Mais um importante precedente do TCU sobre a aplicação da Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021).

No recente Acórdão 1742/2026 – Plenário, o Tribunal de Contas da União determinou a anulação de um Pregão Eletrônico para serviços de engenharia conduzido pelo Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE).

O motivo?

Uma série de irregularidades que culminou na desclassificação de 34 licitantes e na adjudicação do objeto apenas para a 35ª colocada.

O caso traz lições valiosas para gestores públicos e empresas licitantes. Confira os 5 principais erros apontados pelo TCU que você deve evitar nos seus processos:

1. Subjetividade na habilitação técnica: Exigir comprovação de aptidão para serviços “similares” sem definir de forma expressa, clara e objetiva os parâmetros dessa similaridade no edital é ilegal e fere o princípio do julgamento objetivo.

2. Barreira geográfica indevida: É proibido exigir, na fase de habilitação, que a empresa comprove ter sede, filial ou escritório na cidade ou região metropolitana onde o serviço será prestado. Isso viola o art. 9º, inciso I, “b”, da Lei 14.133/2021 e restringe a competitividade.

3. Desclassificação baseada apenas no ETP: O Estudo Técnico Preliminar (ETP) integra a fase de planejamento e tem caráter essencialmente informativo para os licitantes. Uma proposta não pode ser desclassificada com base exclusiva em um item constante apenas no ETP e ausente no edital e em seus anexos.

4. Uso de e-mail para diligências: A condução de diligências via e-mail direto fragiliza o certame. O TCU reforçou que as comunicações devem ocorrer exclusivamente pela ferramenta oficial do Portal de Compras, garantindo publicidade, transparência, rastreabilidade e segurança jurídica.

5. Excesso de formalismo e “pegadinhas” no chat: Convocar licitantes no chat apenas para confirmarem presença na sessão pública em prazos curtíssimos (ex: 5 minutos), sob pena de desclassificação imediata — e sem que houvesse ato processual a ser praticado —, foi considerado um formalismo excessivo e prejudicial à razoabilidade.

A grande lição: Decisões como esta reforçam a urgência de um planejamento rigoroso (fase interna) e da necessidade de fundamentar e motivar detalhadamente todas as análises de documentação e julgamentos de recursos.

Quando a tecnologia exclui, o direito fica distante

Vander Ferreira de Andrade
Advogado. Reitor do Centro
Universitário de Santo André

Para muitos idosos, aquilo que deveria facilitar a vida se transforma em uma verdadeira barreira: aplicativos complexos, senhas, códigos de verificação, reconhecimento facial, atualizações constantes, telas pouco acessíveis e serviços que simplesmente deixam de oferecer atendimento presencial.

Agendar uma consulta, acessar um benefício, emitir um documento, pagar uma conta, utilizar serviços bancários ou até mesmo buscar atendimento em um órgão público pode exigir conhecimentos tecnológicos que nem todos tiveram oportunidade de desenvolver.

O problema não é o idoso “não saber usar tecnologia”. O problema é criar um sistema em que o acesso a direitos e serviços essenciais dependa exclusivamente dela.

A inclusão digital precisa caminhar junto com a acessibilidade, a dignidade e o direito de escolha. Tecnologia deve aproximar, facilitar e incluir, jamais se tornar um mecanismo de exclusão.

Garantir atendimento acessível, canais presenciais e suporte adequado não é um favor. É respeito à cidadania e à dignidade da pessoa idosa.

Tecnologia para incluir, não para excluir. Envelhecer não pode significar perder o direito de acessar serviços.