Tô vivo!

Faz uns dois dias que estou com uma música (impronunciável) do Ultraje na cabeça…

Já há algum tempo a excelentíssima senhora minha esposa perguntou-me: “Ué? Hoje não vai escrever no seu diário?”. Ela estava se referindo a esta página. E… veja bem, meio que ela tem razão. Isso aqui REALMENTE é uma espécie de diário.

Mas eu diria que é um “diário de responsa”. Pois não guardo minhas opiniões somente para mim, como seria num livrinho comum. O que escrevo e ponho no ar automaticamente está disponível para qualquer um em qualquer lugar do mundo.

E é justamente por isso que, de quando em quando, eu dou uma sumida. Pode não parecer, mas é uma carga a se levar, pois além das responsabilidades profissionais (quer seja dentro ou fora do horário de expediente), das familiares, das econômico-financeiras, e outras mais, também avoquei a mim a responsabilidade de escrever. Mesmo que me digam – como já ouvi – que não, um site não precisa ser como uma coluna de jornal, com aquela frequência e assiduidade britânica, eu não consigo simplesmente relaxar. Eu sou taurino com ascendência em virgem, ou seja, além de turrão, perfeccionista. Sou aquele cara que põe o seguinte adesivo na traseira do carro: “Não adianta me seguir que também estou perdido, não sei onde esta estrada vai dar, MAS VOU ATÉ O FIM!!!”

Assim, caríssimos leitores (sobrou algum, espero), não adianta. Só mesmo passando pessoalmente por aqui no site para saber se existem novidades. Agradeço sinceramente os toques pessoais, e-mails, telefonemas e – pasmem – até mensagens no celular. Devagarinho vamos voltando à ativa…

E, num só parágrafo para aqueles mais próximos (quem tiver que entender, que entenda), procurarei evitar que o capim cresça, não deixando o site largado. Tomarei cuidado para saber se meus filhos não estão dormindo com um olho aberto e – prometo – largar mão de ser tão vagabundo. Não no sentido sexual da coisa, pois deixei essa vida pra trás faz muuuuuuito tempo, e hoje passo essa incumbência aos meus bons amigos e colegas de copo: Sala e Frário. Continuo a alardear aos quatro ventos que em casa é só LINHA DISCADA, portanto, caríssimos, PELAMORDEDEUS, pensem duas vezes antes de mandar e-mails de Powerpoint com 1 mega, filmes com 3 mega e (PUTZ!) fotos com 7 mega. Apesar dos protestos da Telefônica, meu bolso agradece. Basta ter fé (mas não deixem de estudar) que dá pra tirar de letra as provas de final de ano, principalmente quando são as últimas do curso. Exame nem pensar! A não ser que seja pra concurso, onde até contrato de gestão costuma cair. Muito tempo no trabalho e distância da criançada deixa a gente meio que triste às vezes, mas é só lembrar a alegria redobrada nos reencontros que a gente consegue diminuir o aperto no coração. Que, diga-se de passagem, vai bem. Apesar do susto, nos ecocardiogramas e ecodopplers da vida não apareceu nada menos que o coração de um touro em forma, obrigado. E, ainda, os desmandos dos chefes costumam ser assim mesmo: diarréicos. Tem que ser pra ontem. Mas com jogo de cintura e bom senso a gente consegue resolver de tudo, até mesmo dar um jeito no povo que não gosta de trabalhar. Bom senso, aliás, que deve imperar mesmo do outro lado do globo, principalmente no que diz respeito a saber guardar dinheiro direito, sem se deixar deslumbrar pelo consumismo. Mas ainda assim o dinheiro foi feito pra gastar, então nada como procurar as promoções ítalo-brasileiras e aproveitar o solzinho em terra brasilis, onde mesmo quando tá frio, tá mais quente que em muito lugar no mundo. Calor esse que transmito num sincero abraço virtual pra aniversariante do meio da semana.

Bão, por enquanto é isso.

Pra fechar, segue uma frase interessante que está martelando na minha cabeça já há algum tempo: “Arrogante é aquele cara que gasta o que não tem pra comprar o que não precisa pra mostrar pra quem não gosta tudo aquilo que ele não é.”

Inté!

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Recordando…

E eis que já tá acabando o ano…

Numa noite insone, diretamente das sombrias catacumbas de meu computador, eis que encontrei alguns bons e velhos textos e poemas interessantes, que me tocam a alma…


O que é REALMENTE IMPRESSIONANTE é que o poema seguinte tanto pode ser lido no sentido normal quanto de trás para frente (verso a verso) – o que muda totalmente seu sentido…

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…

CLARICE LISPECTOR


EU QUISERA

Eu quisera que encontrasses nos meus olhos
Todas as respostas que não sei te dizer;
Eu quisera que procurasses dentro de mim
Tudo o que ainda não consegui encontrar;
Eu quisera que estivesses realmente segura do que és – és tu para mim;
Eu quisera que todo meu ser não tivesse um só segundo para mim
Eu quisera muitas coisas
Mas resumindo, eu só quero que tu me queiras
Eu quisera acima de tudo o teu amor.


ISMÁLIA

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…

E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.

ALPHONSUS DE GUIMARAENS


LIBERDADE

Você tem liberdade de ser você mesmo, de ser o seu próprio eu, aqui e agora, e não há nada que possa impor-se no seu caminho. Essa é a lei da Grande Gaivota, a lei que é. Cada um de nós é uma ilimitada idéia de liberdade, uma imagem da Grande Gaivota, e todo o corpo de vocês, da ponta de uma asa à ponta da outra, não é mais que o próprio pensamento de vocês.

Se a nossa amizade depende de coisas como o espaço e o tempo, então quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade. Mas, ultrapassado o espaço, tudo o que nos resta é AQUI. Ultrapassado o tempo, tudo o que nos resta é AGORA. E entre AQUI e AGORA você não crê que poderemos ver-nos uma ou duas vezes?

RICHARD BACH

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Sucumbência – caráter alimentar

Tão pouco tempo disponível e centenas de livros para ler…

Honorários de sucumbência têm caráter alimentar

A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os honorários de sucumbência têm caráter alimmentar e, por isso, merecem tratamento equivalente ao dos créditos trabalhistas no que diz respeito ao seu pagamento pela parte devedora. O entendimento da 3ª Turma diverge das recentes decisões da 1ª e 2ª Turmas.

A decisão foi proferida em ação de execução de honorários advocatícios sucumbenciais, na qual a União pleiteava preferência com fundamento no artigo 286 do Código Tributário Nacional *. O advogado, contrapondo-se à pretensão da União, alegou que a natureza alimentar da verba honorária a equipara aos salários, de forma que a preferência não se justificava.

Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, é possível que uma verba tenha caráter alimentar ainda que seja incerto e aleatório o seu recebimento. Como exemplo, ela citou as gratificações com base em metas, participações nos lucros (sem acordo ou convenção coletiva), diárias e comissões, verbas que têm natureza salarial.

Para ela, acontece o mesmo com os honorários de sucumbência: o advogado contratado para atuar num processo cobra um valor fixo inicial, mais a eventual sucumbência, para o caso de vencer o pleito, o que representaria adicional aleatório. A ministra lembrou ser comum o advogado formar uma “reserva de capital” quando recebe os honorários de sucumbência, economia que depois utiliza por vários meses até que outras causas em andamento lhe rendam uma nova reserva, razão pela qual as verbas sucumbenciais, para a grande massa dos advogados, fazem parte do seu sustento.

De acordo com o voto da relatora, a inexistência de relação de emprego entre advogado e cliente não influi no caráter alimentar da verba honorária, já que o salário de um empregado é protegido por lei porque representa sua fonte de sustento, não porque há subordinação. A ministra ressaltou ainda que, dada a natureza alimentar dos honorários de sucumbência, eles podem ser considerados “créditos decorrentes da legislação do trabalho”, o que os privilegia sobre os créditos tributários.

Votaram com a relatora os ministros Castro Filho, Humberto Gomes de Barros e Carlos Alberto Menezes Direito. O ministro Ari Pargendler foi voto divergente.

Jornal do Advogado – OAB/SP – Ano XXI – nº 297 – Agosto de 2005

* Nota: Com certeza houve um erro de transcrição por parte do jornal, pois o CTN não tem um “artigo 286”; muito provavelmente deve se referir ao artigo 186, o qual determina: “O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for a natureza ou o tempo da constituição deste, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho.”

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Dicas (novamente) para câmera digital

Lembra a preguiça de ontem? Continua…

Conversando com o André hoje de manhã ele me perguntou se eu tinha alguma coisa sobre câmeras digitais. Aí eu me lembrei que fiquei uns seis meses ensaiando para comprar a que tenho hoje (uma Canon A75), pois eu queria uma câmera que atendesse exatamente às minhas necessidades. Para tanto fui levantando as informações disponíveis na época, de modo que eu pudesse entender perfeitamente o que é que afinal eu estaria comprando. O curioso é que eu achei que já tinha postado essa informação aqui no site. A senilidade deve estar começando a me atingir…

Bem, de lá pra cá (cerca de um ano) provavelmente já deve ter havido alguma mudança no atual estado da técnica, de modo que algumas recomendações aqui talvez até se mostrem modestas ante o que pode ser encontrado no mercado. Mas ainda assim creio que tem informações o suficiente para dirimir as dúvidas.

CÂMERA DIGITAL – RECOMENDAÇÕES E ESCLARECIMENTOS

“Quem compra uma câmera muito básica pode ter um equipamento obsoleto em seis meses.”

As características técnicas “enganam muito” e escolher uma máquina pensando apenas no preço nem sempre é uma boa alternativa. Máquinas muito simples, geralmente, não oferecem altas resoluções de imagem e são mais indicadas para quem quer publicar imagens na Internet ou então guardar as fotos no computador.

Um item essencial é a tela de cristal líquido (LCD). Com o visor de LCD, o usuário pode conferir imediatamente se a foto tirada ficou do jeito que ele queria. Caso a imagem tenha ficado ruim, é possível apagá-la e bater outra foto. “O principal benefício é poder ver a foto na hora – sem esse recurso, o usuário sai perdendo.”

E, ainda, essa tela deve ser do tipo REFLEX, ou seja, o que se vê no visor é exatamente o que sai na foto. Câmeras que não são do tipo Reflex podem ocasionar fotos com o efeito paralaxe, isto é, a imagem final sai deslocada em relação ao que se pretendia.

De se destacar que o sistema operacional deverá ser compatível para se efetuar o download das fotos (baixar para o computador). O ideal é que possua diversas possibilidades, tais como Windows 98, Windows 2000, Windows XP, ou até mesmo Linux.

RESOLUÇÃO:

“Para imprimir fotos no tamanho 10 x 15 cm [tamanho padrão para uma foto], a câmera deve ter resolução de pelo menos 2 megapixels”

Pixel: elemento da construção de todas as imagens digitais.

Resolução da imagem: o número de pixels que compõem uma imagem digital (definido por pixels de altura por pixels de largura).

MegaPixel (MP): um milhão de pixels/imagem (i.e. 1000×1000 pixels=1 milhão).

Contagem de pixels: quanto mais pixels capturar, mais detalhada será a imagem. Para imprimir as fotos, uma regra básica é:
– pelo menos 1 MP para 13x18cm
– pelo menos 2 MP para 20x25cm
– pelo menos 3 MP para 28x36cm

Usar impressora fotográfica com, pelo menos, 1200 dpi.

FUNÇÃO MACRO:

Não é essencial para a câmera, porém esse recurso auxilia muito para fotos de documentos, por exemplo. É uma função que permite fotos com aproximação de até 4cm.

FUNÇÃO BSS (Best Shot Selection):

É um recurso que, ao se manter pressionado o botão de disparo, tira automaticamente cerca de dez fotos seguidas, selecionando a melhor. COMPRESSÃO:

– Pró: capaz de acomodar mais imagens em um cartão de armazenamento pela redução do tamanho do arquivo por meio de compressão.

– Contra: reduz o tamanho do arquivo fazendo a média dos valores da cena, eliminando desta maneira informações valiosas da imagem.

Ou seja, COMPRIMIR = perder informação valiosa.

ZOOM DIGITAL X ZOOM ÓPTICO:

Quem quer esse recurso de zoom “deve se preocupar com o zoom óptico”. Essa aproximação é obtida a partir das lentes da câmera, o que garante uma qualidade melhor nas fotos.

“O zoom digital é conseguido por meio de um programa, prejudicando a imagem em casos onde o nível de aproximação é alto.” O zoom óptico encarece bem o custo do equipamento.

Zoom óptico – permite que você se aproxime e componha a cena, conservando a qualidade da imagem. Um zoom óptico funciona da mesma maneira que uma lente zoom tradicional. A óptica conserva a qualidade em toda a extensão do zoom da lente.

Zoom digital – oferece a flexibilidade de compor antes de tirar a foto. Não tem partes móveis. O zoom é feito usando o software da câmera. No entanto o zoom digital pode limitar o tamanho final da impressão. Uma câmera de 2 MP é capaz de produzir uma impressão 20x25cm sem zoom. Usando do zoom digital em 2X, o maior tamanho de impressão de boa qualidade será de aproximadamente 9x13cm.

MEMÓRIA:

A maioria das máquinas usa memória interna para guardar as fotos.

Recomenda-se modelos que possam ter sua capacidade de armazenamento expandida com cartões de memórias externos. “Sem esse recurso, o usuário fica limitado. É como ficar sem filme. O ideal é ter um cartão de no mínimo 128 megabytes.”

Há três tipos de cartões de memória disponíveis: Compact Flash, Smart Media e o Memory Stick. As memórias Compact Flash e Smart Media são compatíveis com diversos modelos de câmeras digitais. Essa compatibilidade pesa na hora de trocar de câmera, pois, dependendo do modelo escolhido, pode ser preciso comprar um novo cartão de memória. Já o Memory Stick é fabricado pela Sony e só funciona com produtos desenvolvidos pela empresa japonesa.

SmartMedia – É um cartão pequeno e fino, com 4,5 cm de comprimento e menos de 1 mm de espessura, desenvolvido originalmente pela Toshiba. Armazena de 2 Mbytes a 128 Mbytes e é utilizado por câmeras simples.

Compact Flash – Foi desenvolvido em 1994 pela Sandisk e tem um circuito de memória flash e um chip de controle. É um cartão mais robusto, que pode armazenar até 4 Gbytes.

Memory Stick – Desenvolvido pela Sony, com capacidade que varia de 16 Mbytes a 256 Mbytes; o Memory Stick Pro chega a guardar até 1 Gbyte, com taxa de transferência de até 15 Mbytes por segundo.

SD – Desenvolvido pela Panasonic, Toshiba e Sandisk, pode ser usado em câmeras digitais e outros equipamentos eletrônicos. Armazena de 8 Mbytes a 512 Mbytes.

MMC – Cartão multimídia que pode ser usado em vários equipamentos eletrônicos, além de câmeras digitais. Tem capacidade de 32 Mbytes a 128 Mbytes.

xD-Picture Card – Desenvolvido pela Fuji e Olympus, tende a substituir o SmartMedia; no futuro, poderá armazenar até 8 Gbytes, com velocidade de gravação de até 5 Mbytes por segundo; hoje guarda de 16 Mbytes a 128 Mbytes.

A escolha até mesmo do tipo de bateria deve considerada quando da aquisição de uma câmera. Câmeras que utilizam baterias comuns (tipo AA ou AAA) são interessantes na medida em que dão flexibilidade quando do esgotamento da pilha, pois essas baterias são facilmente encontradas em qualquer tipo de loja. Ainda assim existiria a possibilidade de comprar, a um preço inicial um pouco mais caro, baterias recarregáveis, cujo valor se dilui no decorrer da utilização. Já outras câmeras que utilizam baterias com as de celular possuem a desvantagem de que, uma vez esgotada a bateria, deve-se aguardar a recarga para utilizá-la novamente (ou, como nas filmadoras, trabalhar com ela plugada na rede de energia elétrica). Em locais abertos, festas, campo, praia, etc, isso traz nítida desvantagem.

Recomendação final para dúvida na escolha entre máquinas com características semelhantes: “Certifique-se de que existe GARANTIA NO PAÍS para o equipamento.”

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...

Mais dois causos

Uma preguiça do tamanho do MUNDO…

Mais alguns “causos” interessantes de doutores adEvogados de direito jurídico…

E diz que o advogado estava na sala do juiz, sozinho, esperando o meritíssimo voltar. Entra um outro advogado, com um processo na mão.

– Bom dia, doutor.

– Bom dia…

– Escuta, o senhor não acha que esse caso, segundo essa ótica, de acordo com as minhas argumentações, deveria ter uma solução distinta?

– Hmmm (lendo)… Sim, sim, o senhor está coberto de razão!

– Que bom que pense assim! O senhor poderia despachar no processo, então?

– Claro, claro.

Puxou o processo e deu um despacho minucioso acerca do caso.

– Obrigado excelência, muito obrigado. Vou indo para o cartório então.

– Não por isso. Só mais uma coisinha doutor.

– Pois não, excelência?

– Eu não sou o juiz não. Sou advogado, tanto quanto o senhor…

Sinceramente não sei qual foi a reação do advogado.

Noutra oportunidade, esse mesmo advogado – já famoso por suas gozações – chegou numa sala de audiência onde estava uma escrevente de sala nova. Ela ainda não conhecia o juiz. Aproveitando a situação, o danado senta-se de frente para ela, puxa um processo crime e lhe diz:

– Vamos lá! Vou lhe ditar uma sentença.

E a menina, toda solícita, começou a digitar a malfadada sentença, sendo que ele enveredou pelas teses mais absurdas jamais sequer cogitadas no mundo jurídico. Estava já ao final da sentença, quando chega o verdadeiro juiz, se posta entre ambos e fica observando, com um mal disfarçado sorriso no canto da boca.

– … e assim, ante as provas constantes dos autos, condeno o réu ao ENFORCAMENTO em praça pública, a ser realizado ao meio-dia do dia tal, na presença de testemunhas e autoridades de direito, nos termos da Lei. Publique-se, registre-se, intime-se.

Os olhos da escrevente já estavam DESTE TAMANHO, mas não perdeu uma vírgula da sentença. Nisso, o juiz falou:

– Mas o doutor não acha que está carregando muito na sentença, não?

Ao que ele se voltou para o juiz, sorrindo, mas com o dedo em riste:

– Ah não, não, não. Ele merece… Aliás, se o doutor não estiver contente, que apele!

Tirinha do dia:
Desventuras de Hugo...