Ecologicamente corretos

Mais uma do Remixtures.

Para resumir a história basta saber que, depois de um ano e meio de investigações, a polícia sueca chegou ao relatório final contra o pessoal do Pirate Bay. Nesta semana receberam o ENORME dossiê final. Independentemente dos novos desdobramentos judiciais do caso, sabe qual foi a atitude deles?

Manifestando mais uma vez a sua atitude provocatória e irónica face a todos os “poderes vigentes”, os responsáveis pelo tracker sueco decidiram comprar cinco árvores para compensar pelos danos ambientais provocados pela impressão de mais de quatro mil páginas em papel.

O nome do mal

Há algum tempo (re)li numa revista de informática de uns dois anos atrás uma pequena matéria que comparava os usuários de Linux a ateus. Achei tão curiosa a abordagem que resolvi trazer o texto na íntegra. Desde já ressalto que a “parte curiosa” diz respeito ao enfoque dos linuxers, pois no que diz respeito à religiosidade tenho minha fé bem definida: eu aqui embaixo e o Senhor lá em cima – proseamos sempre que podemos, em qualquer ambiente, em qualquer situação (nunca gostei de intermediários).

O curioso é que nestes últimos dias ando num colóquio amistoso com o amigo Bicarato acerca de um livro que ele ganhou em seu recente aniversário (quatro-ponto-zero, hein?), do qual já conseguimos estabelecer comparações e analogias tanto com o caótico mundo informático da Metareciclagem quanto com o ordeiro mundo jurídico do Direito. O nome do livro? A alma imoral (escrito pelo rabino Nilton Bonder, diga-se de passagem).

Bão, apesar de muita coisa já ter mudado e melhorado nos últimos anos no ambiente do Linux, sem mais delongas, segue o texto.

“Olhos fechados

O maior perigo à evolução do sistema Linux é a arrogância de seus próprios evangelistas

Leandro Calçada

Tenho uma confissão a fazer: sou ateu. Deus, para mim, é criação humana e experiências religiosas e sobrenaturais não passam de alucinações individuais ou coletivas, a serem estudadas por psicólogos. Apesar de ter algum conhecimento religioso e, como todo brasileiro, ter sido educado num sistema de forte influência católica, nunca consegui frequentar grupos religiosos por muito tempo. Minha fé, ainda que fé não seja o termo correto, se deposita no método científico.

Mas não é exatamente da ciência que quero falar, nem de deuses ou religiões. Como ateu, em um mundo de cristãos, muçulmanos, budistas e praticantes de candomblé, sou minoria. E é na qualidade de minoria que posso dizer que os ateus têm muito em comum com um outro grupo, este, claro do mundo da tecnologia. Os entusiastas do Linux.

Esqueça as analogias óbvias. Não vou partir para aquela comparação estúpida e dizer que o entusiasta do Linux é um fanático religioso. Sim, entusiastas querem “evangelizar” os usuários. Sim, entusiastas vivem em uma “cruzada” pelo software livre. Mas, cá entre nós, se os entusiastas do Linux tivessem a mesma fé cega dos religiosos, o Slackware 3 já teria dominado o mundo há quase 10 anos. O que torna a minoria de entusiastas de Linux tão parecida com a minoria ateísta é algo bem mais básico: o sentimento de que se é especial.

Sentir-se especial é uma necessidade social humana. É isso que leva tantos adolescentes à rebeldia, ao mesmo tempo em que buscam popularidade e aceitação. Revoltar-se contra o mundo, por mais improdutivo que seja, dá uma sensação de poder, de controle. Estar certo, quando todos estão errados. Não se pode ser mais especial que isso. Quando se acha um grupo com a mesma mentalidade, então tem-se a mistura perfeita.

O problema com misturas perfeitas é que elas nunca estão erradas. Grupos de ateus, dos quais já participei, são uma mostra disso. Não basta ter espaço e respeito para sua opção de (des)crença, ateus costumam ter prazer em se lembrar, e lembrar aos outros, o quanto eles são superiores aos crentes, por não precisarem de divindades. Não é possível, afinal, respeitar as experiências religiosas dos outros, mesmo que não se acredite nelas.

Entusiastas do Linux sofrem do mesmo problema. Não importa quanto conteúdo bom alguém possa criar com o Windows, se o usuário não se dispuser a usar o Linux será mais um leigo para esta minoria, não importa o conhecimento que ele tenha. Não importa o quanto uma faca seja mais eficaz para cortar pão do que uma tesoura, a questão aqui não é usar a ferramenta adequada ao trabalho, e sim mostrar para o mundinho o quanto se é bom.

Arrogância. É este o nome do mal. Ateus, digo por experiência própria, são boas pessoas, assim como entusiastas do Linux também o são e o Linux, não me entendam mal, é um sistema operacional de peso, e o único que pode sobreviver a qualquer palhaçada marketeira da Microsoft. Para que o sistema ganhe o destaque que merece, porém, é preciso que seus entusiastas desçam de seus pedestais e parem de se considerar superiores. Só assim o mundinho fechado vai se abrir e as pessoas normais, que, no fim das contas, são quem determinam quais padrões são aceitos na informática, poderão dar sua contribuição à necessária evolução do Linux. Não ter provas de quem um Deus existe, afinal, não impede a sua existência, por mais desfavorável que seja a estatística.

Ações para todos os gostos

Essa foi pinçada lá do Terra Popular e compartilhada pelo Bicarato – não o Paulo, do Alfarrábio, mas por seu irmão Marcelo, do Johnnie Blunder, o que comprova que família que bloga unida permanece unida! :D

“Advogado lista ações mais bizarras da história

Domingo, 11 de novembro de 2007, 10h43

Quem trabalha em escritórios de advocacia, sabe que às vezes as pessoas procuram advogados para as causas mais estranhos que acabam virando processos um tanto bizarros. O jornal britânico Times fez uma pesquisa e listou uma classificação dos 20 processos judiciais mais estranhos da história. Mas nem é preciso dizer que muitos desses processos, embora tenham realmente sido analisados pela Justiça, foram arquivados sem uma solução definitiva.

TV e orgasmo

A causa considerada mais estranha pelo professor Gary Slapper, que assessorou o Times na pesquisa, foi iniciada em 2004 pelo americano Timothy Dumouchel contra uma emissora de televisão, porque segundo ele, o canal era o culpado pela obesidade de sua mulher e pela grande quantidade de cigarros que ele fumava. Dumouchel defendeu assim suas razões: “Bebo e fumo demais e minha mulher é uma obesa porque há cerca de 4 anos assistimos a TV todos os dias”. Mal havia sido iniciado, o processo foi arquivado pela Justiça.

Entre os casos compilados por Slapper, há também a história de uma brasileira que entrou na Justiça contra o parceiro porque ele nunca a fazia chegar a um orgasmo. A mulher, natural de Jundiaí, em São Paulo, afirmava que o companheiro interrompia as relações sexuais depois das ejaculações precoces, deixando-a sempre instaisfeita.

Conta salgada e sexo selvagem

A terceira controvérsia selecionada por Slapper tem como protagonista o advogado alemão Juergen Graefe, que defendeu um aposentado de Bonn, ao qual o Estado alemão havia equivocadamente apresentando uma multa de 287 milhões de euros alegando não pagamento de impostos. O advogado conseguiu facilmente demonstrar o erro, já que o seu cliente recebia uma aposentadoria de 17 mil euros. No entanto, quando o profissional apresentou a conta, o aposentado levou um susto: ele pedia 440 mil euros, ressaltando que havia sido o responsável por uma economia de quase meio milhão de euros do cliente.

Outro caso bizarro é de um homem de Yorkshire, dono de uma empresa de demolição. Ele destruiu um prédio abandonado com objetivos pessoais e roubou 24 toneladas de uma estação de trem. O homem admitiu a culpa, mas alegou que o trabalho tinha sido feito por ordens de uma terceira empresa, que nunca foi encontrada. O caso acabou sendo arquivado.

Slapper também incluiu o caso de uma americana que, sem consentimento do parceiro, durante uma relação sexual, quebrou o seu pênis. A corte arquivou o caso, afirmando que, mesmo que o comportamento na cama possa ser controlado, a fratura foi apenas um acidente.

Processando Deus

A história mais inverossímil talvez seja uma que tem como protagonista um prisioneiro italiano, condenado a 20 anos por homicídio. Ele teve a “brilhante” ideia de processar Deus, porque, segundo ele, Deus não havia respeitado as suas promessas. De acordo com o detento, ele havia firmado um acordo com o Criador: em troca de orações, Deus faria com que ele não entrasse em confusões. O italiano estava se sentindo traído.

O caso se repetiu neste ano, nos Estados Unidos. O senador do Estado de Nebrasca resolveu processar o “criador” por causar inumeráveis mortes e horror, além de ameaças terroristas. Ernie Chambers, furioso por outro processo que considera frívolo, diz que quer mostrar que qualquer um pode processar quem queira nos Estados Unidos.

Outros casos

Na lista de Slapper, há outros casos estranhos, que vão desde uma astróloga russa que pedia uma indenização de 200 milhões de euros à Nasa, que, segundo ela, seria a culpada pela destruição do “equilíbrio do universo” até um episódio em que um tribunal indiano teve que decidir se uma camisinha que vibrava seria um contraceptivo ou um “brinquedinho” sexual, o que é proibido na Índia.

No top 20 apresentado no Times, há também a história de um chinês que, depois de ter colocado à venda a sua alma, teve que decidir em um tribunal de quem realmente seria a propriedade do seu espírito; a de um cidadão americano que pedia uma indenização de US$ 5 milhões à cidade de Nova York porque a descarga de um banheiro público explodiu enquanto ele fazia as suas necessidades, deixando-o ferido; e aquela de um pai chinês que queria colocar um “@” no nome do filho. A corte decidiu que isso não seria possível, porque todos os nomes no país devem ter possibilidade de tradução para o mandarim.

Outros absurdos no mesmo sentido:

» Lei proíbe morte dentro do Parlamento
» Senador processa Deus por estragos
» Preso processa Deus por quebra de contrato

Patch Adams e Capitão Nascimento

Que tal um Ctrl-C/Ctrl-V do Ctrl-C/Ctrl-V?

Pois é.

Estava lá no Blog do João David, que por sua vez trouxe o texto do Blog da Rosana Hermann. Um pouco de lucidez – que coincide com o final do texto – já havia sido trazido antes à Net pelo Marco Aurélio já em 21/10. Segundo suas palavras: “Capitão Nascimento é um bandido. É carismático, pai de família, bem intencionado? Hitler também era. Bandido. Se perdermos a noção de que um policial que asfixia pessoas com um saco plástico é um bandido, podemos abrir mão da civilização.”

Mas vamos ao dito cujo:

Eu vi o Roda Viva com Patch Adams, o médico que criou o conceito dos Doutores da Alegria.

O programa via ser reapresentado hoje na TV Cultura, acho que às 7 da noite.

Mas o post é sobre outra coisa. Eu vi o programa.

E, logo no inicio, ele foi apresentado pelo Cunha Jr, muito competente, através de um texto em português que, entre outras coisas, dizia que rir é o melhor remédio.

Tão logo ele ouviu o texto traduzido em seu ouvido, Patch manifestou-se.

Discordou de toda a apresentação, todo o texto, gastou um bom tempo explicando que este conceito de fazer rir, de rir como o melhor remédio é totalmente errado e não tem nada a ver com o trabalho que ele desenvolveu.

Todo o discurso de Patch Adams foi sobre ‘caring’. Cuidar, importar-se. Sobre a atenção e a amizade. Não tem nada a ver com ‘alegria e bom humor’ como cura ou panaceia do mundo. Pelo menos foi o que eu ouvi e entendi. Vou até ver de novo para conferir.

Fato é que a chamada da rádio CBN contém exatamente as mesmas coisas que ele negou.

A chamada é superficial, com musica de circo que remete a palhaços e repete que ‘rir é o melhor remédio’.

Deve dar muito raiva quando todo mundo entende o que você criou de forma errada.

Zé Padilha disse o mesmo sobre o capitão Nascimento.

Não era pra vê-lo como um herói, o filme criticava seu comportamento e coloca em cheque o personagem entre sua atividade profissional violenta e os problemas domésticos e afetivos na formação de um núcleo familiar.

Mas agora é tarde.

O povo entendeu o contrário e elegeu Capitão Nascimento como Chuck Norris ou Jack Bauer brasileiro, um heróis.

E Patch Adams será só um palhaço provando quer rir cura tudo.

A superficialidade tomou conta de tudo.

Organize-se!

Sei que todo mundo já deve ter recebido essa sequência de “recomendações” por e-mail ou, ao menos, visto pendurado em algum lugar. Às vezes é até meio grossa. Mas ainda assim acho válida. Parece que posso me ver falando tudo isso para meus filhos… Desconheço a autoria, mas segue, na íntegra.

– Você abriu? Feche.

– Acendeu? Apague.

– Desarrumou? Arrume.

– Sujou? Limpe.

– Está usando algo? Trate-o com carinho.

– Quebrou? Conserte.

– Não sabe consertar? Chame quem o faça.

– Quer usar o que não lhe pertence? Peça licença.

– Pediu emprestado? Devolva.

– Não sabe como funciona? Não mexa.

– É de graça? Não desperdice.

– Não lhe diz respeito? Não se intrometa.

– Não sabe fazer melhor? Não critique.

– Não veio ajudar? Não atrapalhe.

– Ofendeu? Desculpe-se.

– Prometeu? Cumpra.

“A Lua”

Depois de ler o que o Bicarato citou e o que o Pedro Dória escreveu, bateu uma saudade quando lembrei-me da letra dessa música…

“A Lua – MPB4 – Composição de Renato Rocha

A Lua
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente
Diiiizz!…

Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diz!

A Lua!
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua novamente…

Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diiiiiz!

A Lua!
Quando ela roda
É Nova!
Crescente ou Meia
A Lua!
É Cheia!
E quando ela roda
Minguante e Meia
Depois é Lua-Nova…

Mente quem diz
Que a Lua é velha…(2x)

Mente quem diiiiiz!

No youtube: http://www.youtube.com/watch?v=I40qbHFyRkc

Quanto você vale? E depois de morto?

“Indenização por sumiço de restos mortais

A Sexta Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve decisão que condenou o município de Belo Horizonte a pagar, a M.A.A, indenização de R$10.024 mil por danos moral e material. Ela entrou com a ação depois que os restos mortais de seu marido desapareceram da sepultura em um cemitério de propriedade do Poder Público.

O Município contestou, pois o fato ocorreu em 1997 e a ação ajuizada em 2005. Afirmou que houve erro material no título de perpetuidade que foi emitido como sendo sepultura 631, quando, na realidade, deveria ser 630. Alegou ainda, que a transferência dos restos mortais foi solicitada pela família. Não houve, portanto, qualquer lesão ou dano à autora e seus filhos.

De acordo com o Desembargador Edílson Fernandes, relator do processo, diante da violação do dever contratual da guarda do cadáver, em decorrência da violenta dor causada pela surpresa da ausência do corpo do local onde fora sepultado e a transferência dos restos mortais do marido da autora para local não solicitado pela família gera o dever do Município indenizar.

Votaram de acordo com o relator do processo, os Desembargadores Maurício Barros e Antônio Sérvulo.

Processo: 1.0024.05.851475-3/001

Fonte: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Juris Síntese IOB – 18 de Outubro de 2007 às 09h00