Brega Jurídico

Essa veio lá do blog Pepe ponto rede, que escreveu um post bem bacana sobre o que considera Brega Jurídico. Lembro-me que já comentei algo sobre isso por aqui… Em seu texto o autor destacou que “o brega é visceralmente democrático, não é próprio de nenhuma tribo específica da República dos Bacharéis, ele contagia todo mundo: juízes, promotores, advogados, funcionários judiciários, estudantes, estagiários e até peritos”.

Um de seus sintomas, para tentar um falso ar de neutralidade, é a larga utilização da fonte Times New Roman e, ainda da Courier New. Heh… Conheço alguns sujeitos que só se utilizam dessas (ainda bem que estou na Arial)…

E, após, num segundo post, o autor revelou que muita, mas muita gente mesmo, escreveu – ou até mesmo ligou – para reclamar contar que não sabiam que eram bregas. E é onde conclui: “Brega é pensar que sabe mais do que os outros; brega, enfim, é não ter cuidado com a sensibilidade alheia, inclusive com a sensibilidade linguística. Tentando arrancar, assim, a nossa carapuça, brega somos todos nós e essa nossa linguagem judiciária, que ricocheteia, perdida, entre a retórica e a equidade, sem saber por onde escapulir.”

E, lá em seu site (onde constam os devidos créditos), ele se incumbiu de fazer um dicionariozinho do brega jurídico, onde já constam as seguintes colaborações:

– A duas
– A uma
– Achega pretoriana
– Aresto Doméstico
– Arqui-sabido
– Autarquia ancilar
– Caderno Probatório
– Consideração postrema
– Consonar-se
– Contérminos Hieráticos
– Dar ensanchas
– Denota-se
– Desabrochar da operação cognitiva
– Digesto Obreiro
– Douto Louvado
– Em ressunta
– Entendimento turmário
– Entranhas Meritórias
– Ergástulo Público
– Escólio
– Exordial
– Frontear
– Grassar controvérsias
– Indigitado
– Juiz Autóctone
– Juiz de Piso
– Lado outro
– Matéria Abojada
– Meritíssima Vara
– Nada obstante
– Oferecer armês ao assuntado
– Ombrear
– Operador do direito
– Perfunctório
– Perlustrar os autos
– Peça Atrial
– Peça de Arranque
– Peça Gênese
– Peça Incoativa
– Peça Increpatória
– Peça Ovo
– Peça Primeva
– Peça Prodrômica
– Peça Pórtico
– Peça Umbilical
– Peça Vestibular
– Plano zetético
– Preexcelso Paracleto
– Pronunciamento Fósmeo
– Recurso Prepóstero
– Remédio heróico
– Renhidas porfias
– Repositório Adjetivo
– Sentença guerreada
– Sentença Vergastada
– Serôdio
– Sodalício
– Supedâneo
– Trazer à liça
– Tudo joeirado
– Ventre dos autos

Assim, se você usa ou já usou algumas das expressões acima, saiba que pode tranquilamente se considerar um integrante do mundo do Brega Jurídico.

Particularmente percebi que eu uso um monte… Merda!

Pena literária

Não sei se a convivência tem transformado o amigo e copoanheiro Bica de jornalista em juridicausista ou tem me transformado de juridicausista em jornalista… Mas o que acontece é que ultimamente estamos até que bem sintonizados!

Essa vai na íntegra, direto lá do Alfarrábio:

Mário Azevedo Jambo — só sei que é juiz federal, lá no Rio Grande do Norte, mas já virei fã do cara. Já que a gente tá acostumado a meter o pau nos juízes & cia, taí um exemplo bacana. Direto da Folha:

Por que obras de Guimarães Rosa e Graciliano Ramos?

Jambo – O Judiciário não pode ficar na mesmice. O que percebo é que essas pessoas acabam voltando [ao crime]. Temos que criar mecanismos que permitam uma reflexão aos acusados. E por que as obras? Elas têm vínculo com o crime em si. Eles não são pobres. Nada como ler um “Vidas Secas” para perceber o que é vida dura.

Explicando: sob o título *Juiz solta hackers, mas exige que leiam obras clássicas* (hackers ou crackers? a imprensa nunca vai aprender), a reportagem conta que o juiz concedeu liberdade provisória pra três acusados de roubar senhas pela internet. Só que os carinhas vão ter que ler e resumir, de próprio punho, dois clássicos a cada três meses. E, de cara, o juiz mandou eles lerem nada menos que *A hora e a vez de Augusto Matraga*, do Guimarães Rosa, e *Vidas Secas*, do Graciliano Ramos.

Paulo Henrique da Cunha Vieira, 22, Ruan Tales Silva de Oliveira, 23, e Raul Bezerra de Arruda Júnior, 30, foram liberados no dia 17, após nove meses presos por envolvimento na Operação Colossus, da Polícia Federal.

Inclusão digital – marca de um retrocesso

Enquanto todo mundo tenta caminhar para um mundo compartilhado, eis que, sei lá por quais interesses ($$$), órgãos da própria Administração Pública dão um passo para trás. É o que nos conta o Sérgio Amadeu a respeito de um eventual acordo firmado pelo governo da Bahia. Eis, na íntegra:

Enquanto a maior parte dos programas de inclusão digital utilizam software livre, será mesmo verdade que o Governo da Bahia caiu no canto da sereia da micro$oft e assinou um compromisso de retrocesso naquele Estado?

Afetada pelo crescimento do GNU/Linux e da plataforma aberta, a micro$oft buscou oferecer licenças gratuitas para aprisionar os programas educacionais e de inclusão digital a sua plataforma proprietária. O ex-monopólio mundial de software anda até dizendo que aderiu ao open source. Desesperados os dirigentes da empresa de código fechado tentam adquirir o Yahoo para entrar no mundo das redes. No início dos anos 90, Bill Gates dizia que ninguém confiaria em uma rede que não tivesse “dono”. Todavia, o desenvolvimento aberto e não-proprietário da Internet frustou os planos monopolistas de Gates e derrotou a micro$oft no mundo das redes. Hoje, a micro$oft aposta em seu lobby para tentar impedir o avanço da plataforma aberta.

Enquanto o Governo do Paraná e de vários outros Estados avançam na inclusão digital com software livre, será mesmo que o governo da Bahia vai se afundar no Vista? Será que eles vão para um software que exige alto processamento, enormes custos de anti-vírus e a elevação do gasto com hardware? Enquanto o governo federal avança na sua política de software livre que levou somente o Banco do Brasil a economizar mais de 50 milhões somente com o OpenOffice, será que algumas autoridades da Bahia se encantaram com o lobby do ex-monopólio mundial de software para desktop?

Será possível? Mas, até mesmo os Democratas em São Paulo recusaram promover a migração do software livre nos telecentros para windows. Todos sabem que inclusão digital com software proprietário é inviável por representar um grande desperdício de recursos escassos. Se for verdade é também irônico. Foi a gestão anterior que implementou na Bahia o projeto de inclusão digital com software livre. Será o PT que irá retirá-lo?

O pior é que se antes as pessoas acreditavam que os empregos estavam em quem sabia windows, hoje todos sabem que faltam profissionais que conheçam open source. Os empregos e oportunidades crescem muito mais no mundo do software livre. Por isso, o ato do Governo da Bahia seria ainda mais lamentável. Estranho estas pessoas “de esquerda” que se dizem favoráveis a socialização de bens materiais e são contra o compartilhamento do conhecimento. É com elas que ex-monopólio conta para tentar articular sua política tacanha de tentar voltar um dia a ser monopólio.

Veja o link com a matéria sobre o acordo do governo da Bahia com a micro$oft.

Veja o primeiro trecho da matéria:

“Salvador – A colaboração mútua para o desenvolvimento de projetos de inclusão digital na Bahia é o ponto principal de um protocolo de intenções que o governador Jaques Wagner e o presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy, assinam, nesta quarta-feira (23), às 14h30, na governadoria (CAB).”

Um brinde ao falecido

Então.

Não é a primeira, nem segunda, nem terceira e duvido muito que seja a última vez que elogio os serviços da AASP – Associação dos Advogados de São Paulo em detrimento dos serviços prestados pela própria OAB-SP. Pelo preço valor da anuidade que é paga pelos advogados seus serviços deveriam ser exemplares.

A começar pelas publicações que recebemos. Apesar de ser obrigação de todo e qualquer advogado acompanhar pessoalmente seus processos, na maior parte das vezes esse acompanhamento acaba sendo feito mais pelas publicações do Diário Oficial do Estado que por qualquer outro meio. E invariavelmente o sistema adotado pela OAB me manda mais publicações de homônimos e quase-homônimos que aquelas que me dizem respeito propriamente dito.

Mas dessa vez eles se superaram.

Vejam só:

22/04/2008 – Página: 4575
DJE-1 INST-INT
Cível
RIBEIRÃO PRETO
7ª Vara Cível

414/08 – USUCAPIAO – Movida por TANIA APARECIDA DE ANDRADE em face de ESPOLIO DE ADAUTO ANDRADE – fls. 37: “Emende- se a inicial para juntar aos autos cópia das declarações previstas no art. 1032 do CPC, prestadas no processo de arrolamento do espólio, bem como se foi homologado. após, conclusos. int.” Adv.: (205655/SP) STENIO SCANDIUZZI

Pô, dessa vez recebi algo de um processo em que sequer sou advogado constituído. Nem por homonímia. Pior. O “sistema” entendeu que sou parte. Pior ainda: o falecido…

Sessão nostalgia

Esse vídeo a seguir acompanhou uma boa parte da minha infância – ou será que minha infância é que acompanhou esse vídeo a seguir? Bem, enfim, eis uma boa lembrança que minha primíssima Regina, lá de Santana, resgatou e disponibilizou no Orkut.

 
E como eu já estava fuçando no Youtube mesmo, acabei encontrando o videozinho de abertura do antigo programa dos Trapalhões. Como eu e o Bica sempre comentamos, nessa época tudo era bem mais engraçado e totalmente politicamente incorreto (o que se percebe já nessa abertura)…